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Ao menos três pessoas em situação de rua são encontradas mortas nos últimos dois dias em São Paulo

Causas das mortes ainda não foram divulgadas. Capital está em estado de emergência para baixas temperaturas desde 11 de maio

São Paulo|Augusta Ramos, Letícia Assis e Isabelle Gandolphi. da Agência Record

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Homem encontrado morto na Mooca
Homem encontrado morto na Mooca

Ao menos três pessoas em situação de rua morreram entre segunda-feira (29) e terça-feira (30) na cidade de São Paulo.

Duas das mortes ocorreram no centro paulistano, que concentra grande quantidade de pessoas em vulnerabilidade social, e a terceira foi na zona leste de São Paulo.


A capital está em estado de emergência para baixas temperaturas desde às 11h do dia 11 de maio. A situação foi decretada pela Defesa Civil Municipal. São Paulo registrou no mês de maio a menor temperatura mínima do ano, com os termômetros marcando 11,9°C, no dia 16.

Primeira morte

O primeiro óbito foi constatado na manhã de segunda-feira (29), na Praça João Mendes, no centro.


De acordo com a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), a vítima é um homem, de 49 anos, e não tinha sinais de violência no corpo. 

A Polícia Militar também confirmou que foi acionada para o endereço e localizou o homem morto por volta das 9h55. O caso foi encaminhado para o 1º Distrito Policial, da Sé.


Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a vítima tem registro nos centros de acolhimento desde 2019, e que passou a noite em um Núcleo de Convivência no dia 26 de maio.

Segunda morte

Um homem em situação de rua foi encontrado morto na Mooca, na zona leste, na madrugada desta terça-feira (30).


Equipes Polícia Militar foram deslocadas para a rua Taquari, 1237, às 4h34. De acordo com a corporação, o solicitante afirmou que o homem estava passando mal. Imagens divulgadas pelas redes sociais mostram a vítima na calçada.

No local, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) constatou o óbito. Não há informações sobre as causas da morte, mas a PM afirmou que não havia sinais de violência.

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Na mesma rua do encontro do corpo a 550 metros de distância fica um Centro de Acolhimento Emergencial disponibilizado pela Prefeitura de São Paulo

Durante evento realizado na manhã de terça (30), o prefeito Ricardo Nunes lamentou a morte do homem, no qual ainda não foi identificado, e reforçou que será apurado se houve omissão por parte de algum servidor da prefeitura.

Carlos Bezerra, Secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, também lamentou a morte e disse que não é possível afirmar que a vítima tenha sofrido hipotermia.

"Nós aguardamos o laudo do IML, inclusive em reconhecimento da pessoa em situação de rua que faleceu, com a qual nos solidarizamos, com ela, seus amigos e sua família" disse Bezerra.

O secretário ainda disse que foram abertas mais de 1.700 vagas de acolhimento em abrigos, duas novas equipes especializadas em abordagem e acolhimento, além das dez novas vans. Nos últimos 45 dias já houve o dobro de aceitação comparado em dias comuns de ações realizadas pela pasta.

A Agência conversou com o fundador e presidente do Movimento Estadual das Pessoas em Situação de Rua (MEPSR-SP), Robson César, que trabalha na rede de apoio às pessoas em maior situação de vulnerabilidade social.

Segundo Robson, o movimento deve acompanhar os próximos passos e tentar identificar algum familiar da vítima, além de realizar um acompanhamento para os apontamentos do que levou a morte.

O caso foi registrado como morte suspeita 8° DP (Belenzinho), que requisitou carro de cadáver e exames necroscópico e dactiloscópico para identificar a vítima.

Terceira morte

Na manhã de terça-feira (30), um homem, identificado como Elistênio da Cunha Braga, de 42 anos, morreu no cruzamento da rua da Consolação com a Alameda Tietê, na Cerqueira César, região central de São Paulo.

Segundo a Polícia Militar, o acionamento foi realizado às 10h40. A corporação afirmou que ainda não há informações sobre as causas da morte.

O caso foi encaminhado ao 78° Distrito Policial.

Veja nota da prefeitura na íntegra:

"A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) informa que o senhor A. R. T., 57, falecido na última segunda-feira (29) na Praça Doutor João Mendes, Sé, centro de São Paulo, esteve acolhido nos serviços da rede socioassistencial desde fevereiro de 2019.

O homem pernoitou, na última sexta-feira (26), no Núcleo de Convivência 'Chá do Padre', localizado na Rua Riachuelo, 268, na Sé.

É importante ressaltar que a causa da morte é determinada pelos serviços competentes, ou seja, Instituto Médico Legal (IML) e Serviço de Verificação de Óbito (SVO).

Mooca

Em virtude da falta de identificação, ainda não é possível saber se a pessoa encontrada sem vida na Rua Taquari, 1237, na Mooca, ZL, possuiu ou não histórico de acolhimento na rede socioassistencial da Prefeitura de São Paulo.

Cerqueira César

Não há registro de abordagem social e acolhimento na rede socioassistencial a E.C.B, que faleceu na última terça-feira (30)

Balanço Operação Baixas Temperaturas (OBT)

Das 20h desta terça-feira (30) até às 07h desta quarta-feira (31), foram realizados 292 encaminhamentos aos serviços de acolhimento da rede socioassistencial da Prefeitura de São Paulo e 192 cobertores foram distribuídos.

As abordagens são feitas pelo Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), via chamados da Central 156, por equipes da Coordenação de Pronto Atendimento Social (CPAS) da SMADS e atendimentos das equipes do Ampara SP.

Rede Socioassistencial

A cidade de São Paulo possui a maior rede socioassistencial da América Latina, com mais de 24 mil vagas de acolhimento para as pessoas em situação de rua.

Somente para a OBT 2023, foram criadas 1.569 novas vagas de acolhimentos em serviços emergenciais, como em Centros Esportivos, Núcleos de Convivência e aditamento em serviços já existentes.

Os orientadores socioeducativos do SEAS realizam atendimentos sociais diários na cidade de São Paulo, a adultos, idosos, crianças e adolescentes que vivem em situação de rua ou de vulnerabilidade social, incluindo cenas de uso de álcool e outras drogas, e que estes profissionais são capacitados para identificar a necessidade de cada pessoa abordada e oferecer encaminhamentos para os serviços da rede socioassistencial da Prefeitura.

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