São Paulo Apenas 7% dos paulistanos foram a bibliotecas públicas no ano passado

Apenas 7% dos paulistanos foram a bibliotecas públicas no ano passado

São Paulo conta com 106 bibliotecas públicas e 15 pontos e bosques de leitura espalhados pela cidade. Em 2017, 955.707 pessoas passaram por eles 

  • São Paulo | Ugo Sartori, do R7*

Em 2017, 7% da população de São Paulo frequentou as bibliotecas públicas

Em 2017, 7% da população de São Paulo frequentou as bibliotecas públicas

Thinkstock

São Paulo conta, atualmente, com 136 equipamentos municipais para leitura. São 51 bibliotecas públicas nos bairros, cinco bibliotecas centrais, 46 bibliotecas nos CEUs, uma biblioteca no Arquivo Histórico Municipal, três dentro de centros culturais, 15 pontos e bosques de leitura espalhados pela cidade. Mas, segundo dados da Prefeitura de São Paulo, apenas 7% da população paulistana utilizou esses espaços em 2017

Com cerca de 35,5% da população paulistana, a zona leste, região mais populosa da capital, abriga a maioria das bibliotecas públicas. São 53 pontos, bosques de leitura e bibliotecas. Segundo dados da Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas, a zona leste também é a campeã de público, com cerca de 40% dos leitores, o equivalente a 390.857 pessoas no último ano. No entanto, se compararmos o número de pessoas que vivem na região e o número do público que utilizam os espaços de leitura, o índice cai: apenas 9,7% dos moradores utlizam os espaços públicos de leitura da região.

“O direito a leitura é um instrumento essencial para a vida no século 21, você não faz nada sem ter acesso ao que o texto escrito nos fornece”, afirma José Castilho Neto, professor e consultor em políticas públicas na área de educação. Castilho Neto defende a importância das bibliotecas como porta de acesso à leitura.

Para Neto, não adianta nada abrir várias bibliotecas pela cidade e deixá-las paradas, virando "monumentos nos bairros". "Elas precisam de gente que faça a mediação, que incentive a leitura, como espaços aconchegantes ou programações para o público. O que pode ajudar nesse incentivo são pessoas e um bom atendimento", explica o professor. 

Para ele, um bom exemplo disso é a região que mais frequenta as bibliotecas: o centro. Por lá, vivem cerca de 431.106 pessoas e 13% delas frequentam esses espaços. "Durante o dia o centro é muito mais movimentado, as bibliotecas do centro criam um ambiente importante de referência por causa da localização e de seus programas que as tornam mais atrativas", explica o especialista referindo-se a biblioteca central Mario de Andrade.

Veja o mapa das bibliotecas públicas de São Paulo:

Perfil dos leitores

Segundo a Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas, a faixa etária que mais vai às bibliotecas públicas da cidade está entre os 30 e 59 anos, essas pessoas representam 36% das frequentam esses espaços.

Biblioteca Affonso Taunay fica dentro do Parque da Mooca, na zona leste

Biblioteca Affonso Taunay fica dentro do Parque da Mooca, na zona leste

Reprodução/Facebook

A vendedora Elizabeth Pereira, de 45 anos, faz parte desse público. Moradora da Mooca, zona leste, ela costuma ir uma vez ao mês na bilbioteca do bairro, a Affonso Taunay. Segundo dados da prefeitura, em 2017 essa foi a mais frequentada da zona leste e a segunda da cidade, atrás apenas da Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato, no centro.

"Gosto daqui pelo acervo que é bem vasto e pelo espaço amplo e aconchegante. Outro ponto positivo, é que eu posso parar o carro aqui no parque e vir andando para a biblioteca", disse Elizabeth. A Biblioteca Affonso Taunay fica dentro do Parque da Mooca, que ao mesmo tempo que proporciona um lugar arborisado e calmo para leitura, esconde a biblioteca para achar seus autores e títulos preferidos.

"Estamos dentro de um parque e, por isso, muita gente não conhece. Temos que fazer várias atividades para saberem que estamos aqui", disse Meire Rose Stamkeviciuf, coordenadora da biblioteca. Para isso, a coordenação organiza diversas palestras e atividades que atraiam o público que está passeando pelo parque.

"Além das vezes que venho aqui pegar livros, eu tento vir quando tem programação. Sempre tento ir nas apresentações de circo e leitura de contos", disse Elizabeth que destaca o bom atendimento no local, o que a faz voltar para a biblioteca.

Sobre sua frequência, ela comenta a facilidade que o espaço oferece. "Um ou outro livro você até compra na livraria, mas conforme você compra fica muita coisa em casa, chega uma hora que precisaria doar. Mas se você pode achar o livro que procura na biblioteca, melhor ainda! É uma facilidade muito grande!"

Como pegar material emprestado nas bibliotecas

Para conseguir pegar um material emprestado nas bibliotecas da cidade, o leitor deve fazer um cadastro simples. Ele precisa levar um documento de identificação (Certidão de Nascimento, Carteira de Identidade (RG), Carteira de Trabalho, Carteira de Conselho Profissional, Carteira de Motorista, Certificado de Reservista ou Passaporte) e um comprovante de residência dos últimos três meses, no máximo, para a biblioteca desejada.

Menores de 16 anos não podem se cadastrarem sozinhos. Seus responsáveis devem comparecer à biblioteca escolhida e preencher, ou levar preenchido, o Termo de Responsabilidade.

O cadastro nas bibliotecas valem por um ano.

O que são pontos e bosques de leitura?

Os Bosques de Leitura são uma alternativa para quem está cansado de ficar entre quatro paredes durante toda a semana pode aproveitar esses espaços para ler ao ar livre durante os finais de semana.

Eles são 15 e ficam dentro de parques pela cidade. Todos abrem de sábado à domingo, das 10h às 16h. 

Já os Pontos de Leitura foram criados para atender bairros que não têm bibliotecas públicas, ou que a prefeitura não tenha construído outros tipos de acesso à cultura. São 15 pontos ao todo, com cerca de 2.000 materiais para leitura como livros, revistas, jornais e obras de referência.

*Estagiário do R7, com supervisão de Ingrid Alfaya 

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