São Paulo Após ataque, Araçatuba (SP) planeja instalar cerca eletrônica

Após ataque, Araçatuba (SP) planeja instalar cerca eletrônica

Câmeras serão posicionadas em pontos estratégicos dentro da cidade, junto com radares de medição de velocidade

  • São Paulo | Do R7, com informações da Agência Estado

Gate realiza trabalhos para a retirada de explosivos em Araçatuba

Gate realiza trabalhos para a retirada de explosivos em Araçatuba

Reprodução - 31.08.2021

Depois de sofrer o segundo mega-assalto em três anos, a cidade de Araçatuba planeja instalar uma "cerca eletrônica" na tentativa de dificultar a ação de quadrilhas. De acordo com o prefeito Dilador Borges (PSDB), serão instaladas câmeras com tecnologia para leitura de placas em todos os acessos da cidade.

Em 2017, uma quadrilha fortemente armada invadiu a cidade, encurralou a polícia e explodiu a sede da empresa de valores Protege. Um policial civil foi morto pelos criminosos.

"Um comboio de carrões como os que foram usados pela quadrilha certamente chamaria a atenção se já tivéssemos a cerca eletrônica. É um sistema caro, mas necessário"

Dilador Borges, prefeito de Araçatuba

Segundo o prefeito, o sistema de cerca eletrônica identifica com rapidez os veículos furtados. As câmeras serão posicionadas em pontos estratégicos dentro da cidade, junto com radares de medição de velocidade.

"Um comboio de carrões como os que foram usados pela quadrilha certamente chamaria a atenção se já tivéssemos a cerca eletrônica. É um sistema caro, mas necessário", disse. Sem citar prazos, ele disse que pediu estudos aos órgãos técnicos e espera obter recursos do governo federal. "Já temos um projeto de cidade inteligente e vamos incluir a cerca eletrônica", explicou.

Suspeita de vazamento de informação

Conforme Borges, a ação em Araçatuba foi uma das mais ousadas já realizadas pelo crime organizado. "À medida que os serviços de inteligência da polícia vão apertando o cerco, eles mudam as táticas e vão ficando mais agressivos, mas desta vez abusaram. É possível que alguma informação tenha sido vazada para eles, pois sabiam que tinha muito dinheiro nos bancos, especialmente no Banco do Brasil. Fala-se não oficialmente em R$ 100 milhões só nesse banco", comentou.

Sobre a informação não oficial de que a agência do Banco do Brasil tinha R$ 100 milhões no momento do mega assalto em Araçatuba, o banco disse que não informa valores em encaixe nas suas dependências nem revela valores subtraídos durante ataques criminosos. "Esclarece, contudo, que os valores de encaixe na dependência atacada era inferior à média observada nos últimos anos", disse. O BB informou que colabora com as autoridades policiais para a elucidação do ataque ao seu complexo administrativo em Araçatuba.

Central, porém pacata

O prefeito lembrou que Araçatuba é o principal centro econômico da região noroeste do Estado e tem a economia sustentada pelo agronegócio, principalmente o gado de corte e a cana-de-açúcar. "Apesar disso, a cidade é pacata. Embora a violência esteja espalhada, não só no Estado, mas no Brasil e no mundo, temos uns dos menores índices de criminalidade."

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado, Araçatuba registrou 12 homicídios e 124 roubos de janeiro a julho deste ano, e não tinha registrado roubos a bancos até esta segunda-feira, 30. Em Rio Claro, cidade com população praticamente igual, já houve 22 homicídios e 2.014 roubos, mas não houve assalto a banco.

Borges descartou a possibilidade de criminosos que participaram do assalto ainda estarem escondidos no município. Segundo ele, sete veículos usados pela quadrilha foram encontrados em cidades vizinhas, o que indica que os bandidos que conseguiram fugir ganharam distância. Um dos veículos abandonados tinha blindagem tripla nos vidros e um buraco no vidro traseiro que, segundo a polícia, serviria para fazer disparos com fuzil ponto 50.

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