Após quase 30 anos, família de escoteiro que desapareceu em escalada busca por respostas

Vítima desapareceu com 15 anos e caso continua sendo um mistério; não há suspeitos

Após quase 30 anos, família de escoteiro que desapareceu em escalada busca por respostas

Uma família de São Paulo busca um filho que desapareceu há quase trinta anos. A historia do escoteiro Marco Aurélio Simon, então com 15 anos e escoteiro, emocionou os brasileiros na década de 80 e até hoje continua sem um ponto final. O adolescente sumiu em uma das montanhas mais altas do Estado de São Paulo.

Junto com mais cinco escoteiros, Marco Aurélio foi escalar o pico dos Marins, que fica na Serra da Mantiqueira, cadeia de montanhas entre os Estados de São Paulo, Rio e Minas. É o segundo ponto mais alto do Estado de São Paulo e o 26º do Brasil.

Desde recém-nascido, Marco Aurélio tinha a saúde mais frágil do que os outros irmãos. Mesmo assim, Nelma conta  que o filho era valente.

— Ele era muito esperto, muito arteiro. O Marco Aurélio não parava. Então não era uma criança que a gente pudesse tomar uma atenção especial porque ele não fazia por onde. Estava doente, estava, mas ele não se entregava.

No dia 6 de junho de 1985, o Marco Aurélio estava determinado a fazer o acampamento que seria o mais importante da vida dele e que o tornaria um escoteiro senior. Foram acampar a 2.400 metros de altitude no pico dos Marins. Ele tinha um irmão gêmeo, mas que não pode ir na escalada porque estava doente.

Além do Marco Aurélio, participaram da escalada o líder do grupo, Juan Bernabeu Cespedes, na época com 36 anos, e os adolescentes Ricardo Salvioni, Osvaldo Lobeiro e Ramatís Rohm. Todos com 15 anos, como Marco Aurélio.

Os escoteiros fizeram a escalada em seis horas. Isso revelaria que o líder errou o caminho. Antes de chegaram ao topo, um dos garotos, o Oswaldo, se machucou e o líder decidiu abortar a escalada até o pico e prestar socorro ao menino machucado.

Marco Aurélio foi pedir ajuda para o amigo e, por isso, se separou do grupo. Na época, criou-se uma polêmica em torno da situação: teria o chefe Juan ordenado que Marco Aurélio procurasse ajuda ou ele teria se oferecido para descer na frente e buscar o socorro imediato? Segundo Juan, o garoto tomou a iniciativa.

Ele saiu com um apito, uma faca e um pedaço de giz para marcar o caminho. A medida que descia, o jovem escrevia o número 240 nos locais, que era o número do grupo de escoteiros a qual fazia parte. Uma pedra foi o último lugar onde ainda é possível saber que o escoteiro esteve.  

Começou-se as buscas pelo jovem. Depois que a procura oficial foi encerrada, depois de 28 dias a saga da família de marco continua. Esse aqui é um mapa da região cheio de pontinhos vermelhos, por toda essa região, toda região a família espalhou cartazes. Foram muitos cartazes de diferentes cartazes com "procure Marco Aurélio" e, na época, a família oferecia 30 milhões de cruzeiros. Até hoje, foram espalhados cerca de 30 mil cartazes. Mas absolutamente ninguém deu um retorno.

Praticamente não existem pistas para explicar como Marco Aurélio desapareceu. Não há sinal de acidente, de violência ou de ataque de algum animal. A família até aceita que Marco Aurélio tenha perdido a memória, mas não acredita que ele tenha fugido de casa.

O então líder do grupo de escoteiros, Juan Cespedes, se tornou suspeito de assassinar e ocultar o cadáver de Marco Aurélio. Com o tempo, a polícia desistiu de investigar Juan e os outros meninos. Nada foi provado contra eles. Sem outros suspeitos, o inquérito foi arquivado.  

Assista ao vídeo: