São Paulo Armas do PCC apreendidas tinham sido compradas com licença para colecionador

Armas do PCC apreendidas tinham sido compradas com licença para colecionador

Investigação do Denarc mostra que pessoas ligadas a traficantes teriam atuado como laranjas na compra do armamento

  • São Paulo | Do R7, com informações de Dionísio Freitas, do Cidade Alerta

Armas encontradas em poder de pessoa ligada a traficante

Armas encontradas em poder de pessoa ligada a traficante

Reprodução/Record TV

A Polícia Civil apreendeu nesta quinta-feira (2) armas de um núcleo do PCC que tinham sido compradas por meio de licenças para colecionadores. O pequeno arsenal conta com fuzil, submetralhadora e pistolas que estavam em poder de pessoas ligadas a Anselmo Santa Fausta, chefe da facção morto em dezembro.

Segundo Genésio Léo Junior, delegado-chefe do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), a estratégia do grupo foi o uso de "laranjas" para conseguir a compra de armas de forma legal para CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores).

"Eu tenho passagem pela polícia, mas meu irmão não tem, meu cunhado não tem. Ele vai e tira o CAC de atirador, de colecionador, retira essas armas de forma legal, mas não necessariamente o meu irmão faz uso. Eu posso fazer uso", exemplificou o delegado-chefe em alusão à estratégia adotada pela facção.

As armas, avaliadas em R$ 50 mil, foram encontradas na casa de uma pessoa com renda mensal de R$ 2.000, o que reforça a tese da atuação de laranjas no esquema.

Investigação

A ação desta quinta-feira teve como um dos alvos uma empresa de ônibus que atua na zona leste da capital e que teria o traficante Santa Fausta como um de seus donos antes de sua morte. Ele usava um nome falso para figurar entre os sócios da companhia, ao lado de outros traficantes e laranjas.

Uma das frentes da investigação diz respeito à lavagem de dinheiro feita pelo grupo. Santa Fausta, juntamente com outro traficante morto recentemente, Cláudio Marcos Almeida, o Django, colocava dinheiro sujo em apostas de loterias. Eles investiam altas quantias em apostas e perdiam parte do dinheiro. No entanto, com bilhetes premiados, conseguiam "limpar" parte do montante, dando uma origem lícita ao dinheiro. O grupo arrecadou ao menos R$ 40 milhões com essa estratégia e ampliou consideravelmente o capital da empresa de ônibus dias após receber um prêmio. 

A investigação prossegue. Nesta quinta, foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão na capital, na região metropolitana e no interior de São Paulo. A ação recebeu o nome de Operação Ataraxia, e o material apreendido foi levado para a sede do Denarc, na região do Bom Retiro, no centro de São Paulo.

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