Baixos salários e pobreza estão levando policiais à morte, segundo jornal NYT
Pesquisador disse que agentes são obrigados a viver com criminosos
São Paulo|Do R7

Os baixos salários e a falta de política de valorização da carreira do policial têm impulsionado a morte de policiais no Estado de São Paulo, de acordo com um artigo do pesquisador Graham Willies publicado neste domingo (2) no jornal norte-americano The New York Times.
De acordo com o texto, os policiais são mal pagos e moram em locais onde também vivem ao lado de membros do crime organizado. Segundo o artigo, quando estão em serviço, eles estão bem protegidos, mas quando fora de serviço, eles não têm “praticamente nenhuma segurança”.
Devido a essa proximidade, de acordo com o texto, os assassinatos de policiais aconteceram em partes mais pobres da cidade, muitas vezes, perto da casa dos agentes. Muitos policiais “vivem em bairros controlados pelo crime organizado”.
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Além de morarem em regiões mais pobres, o texto explica que muitos agentes são conhecidos pelos criminosos porque eram amigos de infância e colegas de membros do crime organizado. Segundo o artigo, há "oficiais que têm muitas vezes membros da família que são casadas com os criminosos”.
Na busca pela sobrevivência, os policiais procuram alternativas para não serem identificados como tais na região periférica. Alguns, por exemplo, deixam armas no trabalho para não serem identificados como policial. Já outros assumem diferentes identidades em seus bairros — como professores de história, motoristas de táxi ou guardas de segurança privada — ou voar sob o radar de grupos criminosos por não socializar a todos.
Outro ponto destacado pelo pesquisador é que no Brasil há dificuldades para subir na carreira por causa da barreira financeira. De acordo com o artigo, “sem deixar o trabalho para estudar para vários anos, não há maneira de subir a escada profissional”.
O artigo ainda trouxe dados sobre as mortes dos policiais em 2012. Neste ano, 94 policiais morreram o dobro que em 2011. Entre julho e setembro, oficiais em serviço mataram 119 na área metropolitana. Nos primeiros três dias de novembro, 31 pessoas foram mortas na cidade. Maior parte das mortes aconteceu enquanto os oficiais estavam de folga.
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