Caso Ítalo: MP denuncia por fraude e homicídio cinco policiais militares
Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira, de 10 anos, foi morto com um disparo na cabeça. Na versão da PM, os agentes agiram em legítima defesa
São Paulo|Fabíola Perez, do R7

Quase dois anos e três meses após a morte do menino Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira, de 10 anos, na região do Morumbi, em São Paulo, o Ministério Publico de São Paulo ofereceu denúncia à Justiça de cinco policiais militares por fraude processual e dois deles pelo homicídio do menino Ítalo, caso que ocorreu em 2 de junho de 2016.
Dois policiais são acusados pelo assassinato do menino, um deles pela autoria e outro pela participação. Os outros três policiais são denunciados por fraude processual. Caso a Justiça aceite a denúncia do MP-SP, os policiais militares se tornam réus e podem ir a julgamento.

Para o promotor Fernando Cesar Bolque, a fraude consistiu na retirada da arma do crime da cena e pelos policiais terem transportado a criança que estava com Ítalo no veículo por algumas horas após o crime, supostamente em busca da mãe do menino.
O promotor afirma também que alguns elementos dos autos indicam a presença de uma arma supostamente em poder de Ítalo. "Existe uma foto feita por uma médica que atendeu a criança da existência dessa arma no assoalho do veículo", disse Bolque. "O laudo de reprodução do fato constata a existência de dois disparos por parte dessa arma. Esses dois disparos foram feitos anteriormente ao embate final."
O mesmo laudo, explica o promotor, possibilitou a conclusão de que, pela altura da criança e pelo porte do veículo, só seria haveria a possibilidade de Ítalo ter efetuado disparos para o alto. "No local do homicídio, constata-se que foi feito apenas um disparo e que foi de fora para dentro, ou seja, não houve disparo de arma de fogo de dentro para fora do veículo", afirma Bolque.
Caso Ítalo: moradores aplaudem PMs durante reconstituição
O laudo de constatação da arma aponta a existência de um terceiro disparo. "Esse terceiro disparo, estamos atribuindo a fraude processual por parte dos policiais militares", diz o promotor.
Relembre o caso
A morte de Ítalo aconteceu às 19h do dia 2 de junho de 2006, na rua José Ramon Urtiza, na Vila Andrade, região do bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. Um outro menino, de 11 anos, foi apreendido na mesma operação da Polícia Militar, que visava recuperar um carro furtado.
A versão dos militares para a morte de Ítalo é que a criança disparou três tiros contra eles, enquanto dirigia o carro furtado, um Daihatsu, preto, 1998.














