Caso Maria Clara: polícia investiga se padrasto agiu sozinho

Corpo da menina de 1 ano e 4 meses foi encontrado degolado em área de mata do interior de São Paulo indicada pelo suspeito, que está preso

A polícia de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, investiga se houve participação de outras pessoas na morte da menina Maria Clara, de 1 ano e 4 meses, ou se o padrasto da criança agiu sozinho. Diogo da Silva Leite teve prisão temporária decretada na quarta-feira (15), após confessar o crime e indicar o local do corpo, uma região de mata no distrito de Quiririm, em Taubaté, cidade vizinha.

O corpo de Maria Clara foi sepultado nesta quinta-feira (15), em uma cerimônia marcada por dor e revolta. Na quarta-feira (14), o padrasto saiu da delegacia e foi levado à cadeia pública de Taubaté sob gritos de "assassino". O avô paterno da criança chegou a tentar agredi-lo, mas foi contido por policiais. De noite, a casa onde Diogo vivia com a mãe da criança foi incendiada. A mãe da criança, Adriana Batista, está abrigada em local sigiloso, pois foi ameaçada de morte.

A polícia tenta esclarecer também o que motivou Diogo ir até a região de mata onde a criança foi morta, se ele já conhecia a região, se costumava frequentar o local e com quem. Uma das questões a serem respondidas é se alguém sabia que o crime iria acontecer. A razão do crime também não foi esclarecida.

Também é investigada a hipótese da criança ter sofrido abuso sexual, pois o corpo de Maria Clara foi encontrado sem roupa. A polícia aguarda um laudo da pericia médica. 

O caso

Morador de Pindamonhangaba, Diogo da Silva Leite saiu com a criança para marcar uma consulta médica para um dos irmãos dela na terça-feira (13). Ele, no entanto, se dirigiu de bicicleta ao município vizinho de Taubaté pela rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro. Em um acesso no distrito de Quiririm, ele ultrapassou uma cerca de arame farpado, caminhou por uma trilha em região de mata, até que parou e usou uma faca para cometer o crime.

Maria Clara, de 1 ano e 4 meses

Maria Clara, de 1 ano e 4 meses

Reprodução/Record TV

O corpo de Maria Clara de Souza Galvão, degolado, foi encontrado abandonado na trilha. Foi Diogo quem conduziu a polícia ao local após confessar o crime. 

De acordo com a polícia, Adriana Batista, mãe da criança e mulher de Diogo, acompanhava o depoimento no momento em que ele confessou o crime.  Mãe de outras duas crianças, filhas do mesmo pai de Maria Clara, Adriana está grávida de 6 meses de Diogo. Segundo a polícia, ela chorou, demonstrou desespero e perguntou por que o atual marido cometeu o crime.

Adriana acreditava na primeira versão dada por Diogo. Ele alegou que estava com a criança nos braços em um ponto de ônibus, mas precisou ir ao banheiro. Pediu, então, para um homem desconhecido segurar a bebê. Quando voltou, o rapaz e Maria Clara tinham sumido. Em entrevista à Record TV,  ele caiu em contradição quando disse que ficou meia hora no banheiro e, em seguida, disse que foram apenas cinco minutos.

A polícia desconfiou também do fato de Diogo ter dito que o sumiço ocorreu por volta de 11h, mas só ter procurado a polícia por volta das 22h.

Nenhuma testemunha apareceu para dizer que viu Diogo deixando a bebê com o desconhecido. O pai de Maria Clara, Steven Roger, duvidou. "O olhar dele tava contando pra mim 'eu matei a sua filha", afirmou.