São Paulo Coaches americanos: Embratur pede à PF que investigue suposto crime de turismo sexual em SP

Coaches americanos: Embratur pede à PF que investigue suposto crime de turismo sexual em SP

Estrangeiros fizeram festa no Morumbi, no mês passado, em que mulheres disseram ter sido usadas como ‘cobaias’ em um curso

  • São Paulo | Agência Brasil, com informações da Agência Estado

'Coaches de namoro': grupo americano é investigado por turismo sexual no Brasil

'Coaches de namoro': grupo americano é investigado por turismo sexual no Brasil

Reprodução/Instagram

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, oficializou um pedido de investigação à Polícia Federal sobre americanos ligados ao grupo Millionaire Social Club (MSC), acusados de explorar sexualmente mulheres brasileiras.

Em vídeos veiculados na internet, os estrangeiros se apresentavam como coaches que, ao serem contratados, ajudariam clientes a conquistar brasileiras. As imagens mostram diversas mulheres em uma festa. Uma delas seria uma menor, de 17 anos, de acordo com Freixo.

“Esses turistas americanos organizavam o que chamam de festa, mas é claramente uma ação criminosa, com a presença inclusive de menor de idade”, disse o presidente da Embratur. Ele ressaltou que as imagens veiculadas não tinham sequer autorização de muitas das mulheres filmadas. “Diversos crimes foram cometidos”, acrescentou ele, ao levantar suspeitas de outros eventos do tipo organizados pelo mesmo grupo.

Trabalho de cooperação

Diante da situação, Freixo se reuniu nesta segunda-feira (20) com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, a quem pediu que acompanhe de perto o caso. “Vamos fazer [Embratur e PF] um trabalho de cooperação. É provável que não seja um caso isolado”, disse Freixo, que frisou ainda que não interessa ao setor turístico brasileiro nenhum vínculo com atividades criminosas, em especial com exploração sexual.

“Esse caso tem de ser pedagógico, porque não queremos turismo desse tipo no Brasil. Trata-se de um caso muito grave. A Embratur tentará, agora, identificar os locais onde esse tipo de prática ocorre mais comumente.”

De acordo com o diretor-geral da PF, a partir da formalização do pedido do presidente da Embratur terá início o encaminhamento interno do caso. A investigação terá frentes também no exterior, uma vez que os envolvidos estrangeiros já deixaram o país. Para tanto, poderão ser acionadas adidâncias da PF em outros países.

“O primeiro passo é instauração de inquérito policial”, acrescentou Rodrigues ao informar que frentes investigativas serão adotadas de forma coordenada, inclusive com a participação de diretorias das áreas de crimes cibernéticos e de direitos humanos.

O caso

Integrantes de um grupo autointitulado Millionaire Social Club (MSC), sediado nos Estados Unidos, estão sendo investigados pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de exploração sexual. O "clube", composto de "coaches de namoro", organizou, no fim do mês passado, uma festa em uma casa no bairro do Morumbi, na zona sul da capital paulista, para um suposto curso sobre relacionamentos.

Uma mulher de 27 anos procurou a polícia para denunciar o caso. Ela contou que um homem a convidou, por meio de um aplicativo de relacionamentos, para ir a uma festa. "No local, havia homens estrangeiros que tiraram fotos e vídeos dela para promover um curso sobre relacionamentos", disse a Secretaria de Segurança Pública em nota.

"A ocorrência foi registrada como favorecimento de prostituição ou outra forma de exploração sexual e por agenciar, aliciar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher exploração sexual. As investigações serão feitas pelo 34º Distrito Policial (Morumbi), responsável pela área dos fatos", acrescentou a pasta.

O caso tem gerado repercussão nas redes sociais, com críticas ao evento e ao conteúdo do curso, que poderia incentivar práticas de turismo sexual. O MSC tem se defendido das acusações e afirma que todas as pessoas na festa eram "maiores de idade" e que as reclamações são feitas por "feministas com raiva".

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