São Paulo Com alta de casos, Araraquara faz alerta para evitar novo lockdown

Com alta de casos, Araraquara faz alerta para evitar novo lockdown

Nesta quinta (3), 20,4% daqueles que buscaram serviços de saúde testaram positivo para covid. Há 2 semanas, índice era de 13,4%

Agência Estado
Araraquara pode adotar novo lockdown por aumento de contaminações

Araraquara pode adotar novo lockdown por aumento de contaminações

Divulgação/Prefeitura de Araraquara

Passados três meses do lockdown que levou a uma redução de 75% os casos de coronavírus, a cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, pode estar na iminência de um novo fechamento. Nesta quinta-feira (3), 660 pessoas que procuraram os serviços de saúde (20,4%) testaram positivo para o vírus. Há duas semanas, o índice era de 13,4%.

O comitê de contingência do coronavírus emitiu um alerta à população. Se o índice chegar a 30% e permanecer três dias nesse patamar, o novo lockdown será automático, como prevê decreto baixado em 20 de maio.

O prefeito Edinho Silva (PT) usou seu canal oficial para pedir à população que use máscara e mantenha o isolamento social. "Os números mostram que nós ainda podemos evitar que o lockdown seja decretado. Depende só de nós", disse.

Ele alertou que já há pressão sobre a rede hospitalar e que, nesta quinta-feira, a taxa de ocupação de leitos de UTI voltou a subir para 83%. "Vamos evitar que Araraquara feche. Porque é ruim para os empregos, ruim para nossa economia, para as crianças que estão caminhando para dois anos fora da escola, para as pessoas que são autônomas e dependem do seu trabalho para sobreviver."

Os novos números mostram que a cidade está voltando ao patamar de casos de 21 de fevereiro, quando o lockdown foi decretado. Naquele dia, a cidade registrava 189 casos diários de covid-19. O número caiu para 42 em 20 de abril e voltou a subir para 113 nesta quinta.

Na UPA da Vila Xavier, porta de entrada para os casos de covid, o número de pacientes assistidos oscilou de 417 para 104 e, agora, 316. Os internados em hospitais locais eram 209 na véspera do lockdown, caíram para 69 dois meses depois e, nesta quinta, já são 180.

O decreto prevê que o sinal de alerta também deve ser acionado quando 15% dos testes em geral - sintomáticos e assintomáticos - são positivos. Nesta quinta, o índice chegou a 13,29% das 1.053 amostras analisadas. Há duas semanas, a taxa era de 10%. "Diante de mais um sinal de alerta, o comitê segue analisando com rigor a situação epidemiológica para deliberar sobre as ações necessárias de controle da transmissão do vírus que o momento exige", informou o município.

Força-tarefa reforça fiscalização

Os sinais da retomada na pandemia estão por toda a parte. Nas ruas, a força-tarefa de fiscalização percorre o comércio para verificar o cumprimento das medidas em vigor. A cidade segue o Plano São Paulo de controle do coronavírus, com restrições mais rígidas, como o toque de recolher noturno. Há ainda a busca ativa de casos nos setores econômicos. Estabelecimentos com surtos da doença podem ser interditados. As barreiras sanitárias voltaram a abordar os visitantes. Quem não tem laudo negativo para covid-19 pode fazer o teste rápido no local.

Com o aumento de casos, o tempo de espera por atendimento aumentou na UPA da Vila Xavier. Na manhã desta quinta, houve um início de confusão quando uma paciente reclamou da fila, alegando que a longa espera poderia contaminar mais gente. A Secretaria da Saúde informou que houve um aumento de pacientes na unidade e colocou mais um médico para reforçar a equipe - agora são cinco profissionais médicos.

Araraquara já registrou 451 óbitos pela covid-19. Nas últimas 24 horas morreram dois homens, de 56 e 52 anos, respectivamente, um deles com comorbidade. O número de casos positivos chegou a 21.930. A cidade tem 821 pacientes em quarentena. Além da aplicação intensa de testes, a cidade aposta na vacinação para conter a nova onda da pandemia. Araraquara aplicou 102,8 mil doses, sendo 66,1 mil receberam a primeira aplicação e 36,7 mil a segunda.

Lockdown na cidade serviu de exemplo

Primeira cidade a decretar lockdown, Araraquara passou a ser citada como exemplo de que o fechamento total das atividades, salvo as estritamente essenciais, funciona. A medida foi tomada quando o sistema de saúde entrava em colapso, devido à grande progressão de casos e à circulação da cepa P1 de Manaus. O fechamento foi discutido pelo município com pesquisadores da Unesp e da USP.

O lockdown, que incluiu a suspensão do transporte público por 12 dias, permitiu a reorganização dos serviços de saúde. Nesse período, houve queda de 58% na média móvel diária de pessoas contaminadas. As internações caíram 31% e o número de óbitos, 40%. Duas semanas depois, já não havia pacientes aguardando leitos em hospital.

Na segunda-feira, 31, o prefeito petista foi convidado para falar sobre a experiência de Araraquara em seminário nacional coordenado por Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça e ex-integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). A participação de Edinho aconteceu, de forma remota, no painel "O Pacto Federativo e a Articulação Necessária para o Enfrentamento da Pandemia".

Em abril, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou uma distribuição de alimentos feita pela Ceagesp, empresa pública federal de armazenagem, para criticar o lockdown em Araraquara. "Nesse momento, comboio parte da Ceagesp rumo a Araraquara/SP, levando alimentos para aqueles vitimados pela política do ‘fique em casa que a economia a gente vê depois’", disse o presidente.

Nesta quarta, em pronunciamento feito em rede nacional, Bolsonaro voltou a se referir ao fato. "Essa companhia (Ceagesp) socorreu nossos irmãos de Aparecida e Araraquara, entre outras cidades do interior de São Paulo, doando dezenas de toneladas de alimentos", afirmou. A prefeitura de Araraquara informou que não se manifestaria a respeito.

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