São Paulo Com plano de desativação, novos prédios começam a ser construídos à beira do Minhocão

Com plano de desativação, novos prédios começam a ser construídos à beira do Minhocão

Preço de apartamento na região pode crescer 40% caso elevado vire parque ou seja demolido

  • São Paulo | Do R7*

De acordo com aprovação de Plano Diretor, Elevado Costa e Silva será desativado, mas ainda não há prazo para isso

De acordo com aprovação de Plano Diretor, Elevado Costa e Silva será desativado, mas ainda não há prazo para isso

Daia Oliver/3.09.2014/R7

Com a desativação prevista no novo plano diretor de São Paulo, sancionado pelo prefeito Fernando Haddad em julho de 2014, o elevado Costa e Silva vive um ressurgimento imobiliário.

O Minhocão, como é conhecido, pode tanto ser demolido como transformado em parque suspenso. Diante dos planos, ainda sem data definida para virar realidade, as incorporadoras Helbor e a MAC vão lançar, em breve, três novos prédios residenciais próximos ao elevado.

Estande da MAC à beira do Minhocão

Estande da MAC à beira do Minhocão

Daia Oliver/06.09.2014/R7

Um dos empreendimentos da MAC, na esquina da rua General Olímpio da Silveira, perto da avenida Francisco Matarazzo, com a rua Olímpia de Almeida Prado, já tem o estande montado.

A empresa construirá o Cosmopolitan Higienópolis com dois sobresolos e um térreo para que assim, independentemente da desativação ou não do elevado Costa e Silva, a questão do ruído, entre outros problemas, sejam evitadas.

No outro extremo do elevado, no cruzamento da avenida São João com a Helvétia, um antigo estacionamento foi cercado pelos tapumes da MAC.

Questionada sobre o motivo de investir na região, a gerente de marketing Tatiana Spaolonzi diz que “a região tem infraestrutura, comércio e lazer”, que, por sua vez, é atrativo para “jovens, geralmente solteiros, que querem ficar próximos da instituição de ensino e do centro como um todo”.

Preço

O diretor responsável pelos assuntos corporativos da Helbor, Roberto Viegas, diz que o terreno foi comprado em 2011 e era desconhecido qualquer movimento mais efetivo em torno da desativação do elevado. Entretanto, Viegas não descarta que possa haver um aumento do preço caso o Minhocão seja fechado.

— Tudo o que acontece no entorno do prédio pode influenciar. Essa questão ainda será avaliada pela empresa.

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Tapumes da MAC na rua Helvétia

Tapumes da MAC na rua Helvétia

Daia Oliver/03.09.2014/R7

Viegas ainda afirma que os apartamentos devem atrair um público mais novo.

— Quem mais procura os empreendimentos desse tipo, geralmente, é o público mais jovem. Casais jovens, que não têm filhos e querem ficar mais próximos do centro de São Paulo.

A torre que será construída na rua Amaral Gurgel terá 24 pavimentos com um total de 226 apartamentos de 40m², de um ou dois dormitórios. A incorporadora garante uma vaga de garagem para cada unidade.

Revalorização

Segundo Ênio Moro Jr., coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, os prédios residenciais próximos ao elevado sofrem com a desvalorização de mais de 50%. Entre os motivos está a proximidade com o constante fluxo de carros, que provoca ruídos e poluição. Com a desativação da via e uma possível transformação em parque suspenso, os apartamentos seriam beneficiados.

— Em média, os empreendimentos residenciais poderiam ser valorizados entre 30% e 40% do dia para a noite. Atualmente, os primeiros, segundos e terceiros andares dos prédios que ficam de frente para o Minhocão têm entre 50% e 60% de desvalorização. Já os demais andares perdem até 40% de seu valor [quando comparado à região central].

No domingo, Minhocão vira área de lazer

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Daia Oliver/06.09.2014/

Ressurgimento

De acordo com o Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo), o último lançamento imobiliário na região da Santa Cecília foi na rua Dr. Gabriel dos Santos, 121 — a uma quadra antes do Minhocão —, em maio de 2013.

Agora, os lançamentos são na própria via do elevado.

Carlos Ribeiro, de 35 anos, trabalha como corretor há dez anos e diz que há muito tempo não era lançado um empreendimento nas ruas e avenidas em frente ao elevado Costa e Silva. Segundo ele, as construtoras e incorporadoras estão esperando a desativação do Minhocão sair para poder investir. 

— Os apartamentos ali, como uma kitnet, são mais baratos. Porém eles deveriam custar menos ainda. O preço ainda dificulta a nossa venda.

O corretor Agueo Shima, de 67 anos, os apartamentos que ficam em frente ao elevado têm problemas até maiores do que o custo e tráfego de veículos.

— É complicado vender um apartamento ali. Mesmo se tentarmos fazer um preço bom, o cliente não vai querer. O problema é que o Minhocão é um dormitório para viciados [em drogas]. Não adianta somente desativar o elevado. 

Os apartamentos de 60 m² em frente ao Minhocão custam entre 300 e 400 mil reais. O preço por metro quadrado varia entre 4 e 5 mil, segundo Agueo.

O que fazer com o Minhocão desativado?

Para Ênio Moro Jr., caso o Minhocão não seja mais utilizado para o tráfego de veículos, uma alternativa é que ele siga o mesmo exemplo da High Line Park, de Nova York, uma espécie de “Minhocão de Trem”. No local, de 1930 até 1980, funcionava uma linha férrea suspensa, que foi desativada. O espaço então foi aproveitado, reurbanizado e hoje é um parque vertical, onde existem bancos iguais aos de uma praça. O parque suspenso é aberto para visitação das 7h até às 19h no inverno e das 7h até às 23h no verão.

Transformar o Minhocão em uma High Line seria uma das saídas, aponta especialista

Transformar o Minhocão em uma High Line seria uma das saídas, aponta especialista

Reprodução/Iwan Baan/www.thehighline.org

Outras opções, segundo o especialista, é a de derrubar o Minhocão e montar uma via expressa que encurte o caminho até à linha férrea ou, então, manter do jeito que funciona atualmente, fechando à noite e aos fins de semana, quando os acessos aos carros são bloqueado e liberados ao público.

Entretanto, se nada mudar, a solução, para o especialista é utilizar a tecnologia como aliada para diminuir os impactos de degradação.

— O que poderia ser feito era utilizar mecanismos que filtrem o ar, por exemplo, e também preparar os prédios, equipando com tecnologia antirruído.

*Com informações do estagiário Gilmar Junior

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