São Paulo Comissão de Ética da Alesp vota pela suspensão temporária de Cury

Comissão de Ética da Alesp vota pela suspensão temporária de Cury

Foram 5 favoráveis pela punição por 119 dias. Deputado do Cidadania é acusado de tocar seio de Isa Penna (PSOL)

  • São Paulo | Joyce Ribeiro, do R7

Comissão de Ética da Alesp vota pela suspensão temporária de Cury por 119 dias

Comissão de Ética da Alesp vota pela suspensão temporária de Cury por 119 dias

Alesp - 06.08.2019

O Conselho de Ética da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) votou nesta sexta-feira (5) pela suspensão do deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) por 119 dias e pela manutenção dos trabalhos no gabinete do parlamentar. Ele é acusado de tocar a mão na lateral do seio de Isa Penna (PSOL) durante sessão no plenário da Casa, realizada em 16 de dezembro de 2020.

O processo foi aberto por quebra de decoro parlamentar. Foram 5 votos favoráveis à proposta de suspensão por 119 dias e 4 favoráveis ao parecer do relator, que previa suspensão por seis meses. O relatório ainda precisa ser encaminhado à Mesa da Alesp antes de ir a plenário.

A votação deveria ter acontecido na quarta-feira (3), mas foi adiada por 48 horas após pedidos de vista dos deputados Wellington Moura (Republicanos) e Adalberto Freitas (PSL). Ambos justificaram que precisavam de tempo para ler o relatório antes de decidir a punição ao parlamentar.

O relator do caso, deputado Emídio de Souza (PT), havia sugerido a suspensão de Cury por seis meses, sem direito a qualquer benefício como parlamentar.

Nesta sexta-feira (5), ele afirmou em sessão virtual: "Por minha vontade seria a cassação do deputado, mas não o fiz para não manchar a imagem da Alesp e por saber que a Comissão não acolheria. Ele errou e tem que ser punido para valer. Indiquei a suspensão de forma que restituísse a dignidade de Isa Penna depois daquele ato de covardia. Homens não aprenderam a conviver de maneira harmônica na sociedade e, pelo jeito, nem no Parlamento".

O deputado Wellington Moura pediu voto em separado e argumentou que, apesar de convergir quantos aos argumentos apresentados pelo relador, ele divergia quanto à penalidade. "O regimento não indica um tempo mínimo de suspensão temporária e nem os critérios. Ele errou feio, mas merece perdão. Sugiro a suspensão por 119 dias, sem estender a penalidade aos servidores do gabinete", propôs.

O deputado Delegado Olim (PP) chegou a pedir vistas do processo nesta sexta para adiar novamente a votação, mas retirou o pedido e a sessão teve prosseguimento. 

Já a deputada Erica Malunguinho (PSOL) defendeu que "não estamos penalizando Fernando Cury, mas 97% das mulheres assediadas no transporte público. A cada dois segundos uma mulher é assediada no Brasil. Estamos aqui construindo um pacto civilizatório. Oferecer uma licença de 119 dias não é uma punição. Seis meses é o mínimo que deve ser feito". 

Barros Munhoz (PSB) disse que "se sentiu enojado com a atitude de Cury" e defendeu a cassação do parlamentar. 

A deputada Isa Penna iria se manifestar durante a sessão, mas abriu mão da palavra. No entanto, os parlamentares reclamaram da atitude dela que mostrou um cartão com a palavra "machista" durante a fala de colegas. 

Abandono da sessão

Após uma confusão na contagem dos votos, a presidente da Comissão, Maria Lúcia Amary (PSDB), ainda estava falando quando os cinco deputados que votaram a favor da proposta vencedora abandonaram a sessão.

"Um desrespeito a mim como mulher e como deputada que não tive direito de me manifestar. Eu ouvi a todos. Nós tínhamos a oportunidade de mostrar à sociedade o nosso trabalho, agora teremos uma resposta negativa da sociedade", conclui Maria Lúcia.

Diante do ocorrido, a sessão foi encerrada e tanto o deputado Barroz Munhoz quanto Emídio de Souza apresentaram a intenção de deixar de fazer parte da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

"Um conselho patético, uma atitude vergonhosa, por isso apresento minha renúncia", disse o relator do caso. Já Munhoz afirmou que "o órgão era espúrio".

O caso

Um vídeo gravado por uma câmera da Alesp registrou o momento em que o deputado se aproxima da parlamentar, quando ela está próxima à mesa da presidência. Cury se posiciona por trás de Isa Penna e passa a mão na altura do seio e da cintura. A parlamentar então retira a mão do colega. Em seguida, Cury põe a mão no ombro dela, que afasta novamente a mão dele.

"Não é um caso isolado. A gente vê a violência política institucional a todo tempo contra as mulheres. O que dá direito a alguém de encostar em uma parte íntima do meu corpo? É o meu corpo. Eu tenho o direito de estar aqui sem ser apalpada e assediada", afirmou Isa Penna na ocasião.

Já Fernando Cury rebateu: "Não houve de forma alguma tentativa de assédio, de importunação sexual ou de qualquer outra coisa com algum nome semelhante a este. Eu nunca fiz isso na minha vida toda. Se a deputada Isa Penna se sentir ofendida pelo abraço que eu dei, eu peço desculpa por isso".

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