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Dinheiro para aterrar fios em SP teria que sair do bolso do consumidor, diz Eletropaulo 

Custo para acabar com a fiação aérea é de aproximadamente R$ 5 milhões por quilômetro

São Paulo|Ana Cláudia Barros e Vanessa Beltrão, do R7

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Árvores podem atingir fiação e prejudicar fornecimento de luz
Árvores podem atingir fiação e prejudicar fornecimento de luz

O grande número de árvores que caiu em São Paulo entre o fim do ano passado e o início deste ano trouxe à tona novamente a discussão sobre o aterramento de fios. Em um período de pouco mais de 15 dias, cerca de mil árvores caíram, o que levou à destruição de parte da fiação elétrica e causou inúmeros prejuízos aos consumidores.

A solução de passar os fios de energia por debaixo da terra é apoiada pela AES Eletropaulo, pois não deixaria o Estado mais na dependência das “podagens”. Mas a iniciativa esbarra nos altos custos de sua execução.


Segundo o vice-presidente de Operações e Comercial da empresa, Sidney Simonaggio, uma rede subterrânea chega a custar, em média, R$ 5 milhões por km. Só de fiação aérea, o órgão é responsável por 41 mil km de cabos nos 24 municípios sob a sua tutela, o que resultaria em um custo inviável aos cofres públicos.

Simonaggio afirma que esse investimento teria que ser repassado para o custo da energia, o que fatalmente afetaria a conta do consumidor. Em anos anteriores, a própria Eletropaulo apresentou à Secretaria de Energia do Estado um trabalho sobre a viabilidade do enterramento da rede, comparando com outros países.


— Observou-se que a rede enterrada não é um padrão mundial, é uma exceção. O custo é de 10 a 20 vezes maior.

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Ainda de acordo com Simonaggio, para se tornar economicamente viável, o aterramento dos fios poderia ser feito em locais específicos, como, por exemplo, em áreas onde há alta concentração de residências.


— Nos outros locais, o que fazer? Um programa de manejo adequado do parque arbóreo. Uma definição de uma política de plantio de forma que as árvores sejam compatíveis com a rede. Nós precisamos da rede elétrica e das árvores e tem que haver uma solução onde haja o convívio dessas coisas.

O projeto já foi apresentado e existe até mesmo uma lei municipal de 2005 (14.023) que exige o aterramento do cabeamento de até 250 km por ano, mas nada avançou.

A lei não prevê, inclusive, uma penalização para quem descumpre a legislação, como explica o professor de morfologia vegetal da USP (Universidade de São Paulo), Gregório Ceccantini.

— É um problema de prioridade na cidade. Primeiro, não há multa para legislação municipal que obriga o enterramento dos fios. O que estamos vendo, principalmente com as companhias de telecomunicações, é uma proliferação de fios assustadora nos últimos cinco anos. Há uma priorização dos fios. As pessoas não veem a árvore como um patrimônio dela.

O secretário de Energia do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, explicou que tem que haver um trabalho junto à prefeitura para que a lei se cumpra. Mas ressalta que o aterramento pode esbarrar, sim, em uma revisão tarifária, já que “as concessionárias dizem que é muito mais caro”.

Uma das formas de se tornar viável o projeto seria diluir os custos. Simonaggio explica que a proposta é justamente essa.

— A nossa proposta defende isenção de impostos sobre serviços, circulação de mercadorias e produtos que sejam aplicados nesse programa de convenção. Segundo lugar, o pagamento de tributos daquele proprietário, cujo imóvel teve uma valorização pelo enterramento das redes aéreas. Terceiro lugar, pelas municipalidades do custo de repavimentação de ruas e de calçadas.

Ele ainda acrescenta que o custo do aterramento poderia ser dividido entre vários setores da sociedade, já que não só os fios de energia, mas também os cabos de telefone e de TV a cabo deveriam passar pelo mesmo processo.

Poda e espécies inadequadas

Como se não bastassem os cabos aéreos, São Paulo ainda enfrenta problemas com o podamento das árvores. Para o professor Gregório Ceccantini, é preciso planejamento.

— Eles fazem poda no interior da copa que a dividem ao meio para dar liberdade para os fios, ou seja, expandem a copa para os lados, potencializando o risco de queda. Ou cortam de um lado só, deixando todo peso de um lado, potencializando o risco de queda. A poda é feita de forma a desestabilizar as árvores.

Além disso, São Paulo ainda convive com a má escolha das espécies. Árvores como figueiras e eucaliptos, por exemplo, não são apropriadas para o ambiente urbano.

— Uma árvore desse tipo fora do ambiente florestal, sem estar escorada por outras árvores, é uma bomba-relógio. É só uma questão de tempo para ela ter uma carga muito elevada, muito alta para o sistema radicular sempre comprometido com calçada mal planejada, com intervenções na calçada.

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