São Paulo "Ele era uma criança muito boa", diz mãe de jovem morto depois de apanhar de policial

"Ele era uma criança muito boa", diz mãe de jovem morto depois de apanhar de policial

Segundo o delegado, todos os familiares e amigos falaram sobre o envolvimento do PM

"Ele era uma criança muito boa", diz mãe de jovem morto depois de apanhar de policial

Familiares prestaram depoimento nesta segunda-feira (24)

Familiares prestaram depoimento nesta segunda-feira (24)

Reprodução/Record TV

Os familiares do adolescente que morreu depois de ser agredido por policiais prestaram depoimentos nesta segunda-feira (24). O irmão da vítima disse que não tem dúvidas de quem é o policial militar que comandou o espancamento.

A mãe, o irmão e um amigo foram até a delegacia vestindo camisetas com a foto de Gabriel Paiva, de 16 anos. Muito emocionada, dona Zilda disse que quer justiça.

— Meu filho só tinha 16 anos. Ele não era uma criança ruim. Se ele fosse ruim, eu seria a primeira a reprimir, mas ele não era uma criança ruim, ele era uma criança muito boa.

Segundo o delegado responsável pelo caso, todos os familiares e amigos que prestaram depoimento falaram sobre o envolvimento de um policial militar de apelido "negão da madeira".

— Esse policial, segundo os jovens, agiria costumeiramente de maneira violenta na região.

Roger, irmão de Gabriel, reconheceu o policial como sendo o responsável pela agressão que resultou na morte do adolescente.

— Não tenho como errar. Se eu ver ele a mil metros da minha distância eu vou reconhecer.

O estudante foi agredido no último dia 16, na Vila Missionária, zona sul de São Paulo. O caso está sendo investigado no 22º batalhão, na zona sul da cidade. Segundo a corregedoria, quatro policias foram afastados, mas eles não tiveram os nomes divulgados.

Os policiais só registraram o boletim de ocorrência dois dias depois. Em depoimento, os quatro policiais negaram qualquer agressão.

O delegado afirma que os policiais “alegam que apenas socorreram a vítima, visto que foram informados por populares de que o jovem estava caído em via pública”. Porém, a mãe do menino diz que a versão dos policias não corresponde com o que realmente aconteceu.

— Que seja dita a verdade. Que eles parem de mentir. Que eles falem a verdade, porque eles largaram o meu filho no chão. Foi uma testemunha que pediu para eles socorrer ele, se não ele tinha morrido ali mesmo.

O adolescente ficou cinco dias em coma e morreu na última sexta-feira. Gabriel estava numa festa de rua com outros 50 jovens quando foram abordados por policiais militares. Segundo as testemunhas, ele foi cercado e agredido com uma espécie de taco.

Imagens, obtidas com exclusividade pelo jornalismo da Record TV, mostram imagens fortes de mais agressões e abusos do policial suspeito de matar Gabriel.