São Paulo Empatia e solidariedade: projetos sociais ajudam população de SP

Empatia e solidariedade: projetos sociais ajudam população de SP

Com desemprego e alta no preço de alimentos, pequenos grupos de pessoas se juntam para apoiar mais vulneráveis

Projetos sociais ajudam as pessoas mais vulneráveis na cidade de São Paulo

Projetos sociais ajudam as pessoas mais vulneráveis na cidade de São Paulo

Reprodução/Instagram/Charles Wanderson

Apesar de São Paulo ser a metrópole que comanda grande parte do capital privado por abrigar a maioria das sedes de empresas no Brasil, o desemprego e a extrema pobreza ainda são uma realidade marcante na cidade. Pessoas e famílias inteiras vêm recebendo ajuda de diversos projetos sociais espalhados pelo município, muitas vezes criados por grupos ou pequenas instituições que arrecadam alimentos e fazem marmitas para distribuir.

O projeto ‘Sopão da Gente’, por exemplo, criado pelo comerciante Charles Wanderson, vem distribuindo há dois anos marmitas para pessoas em situação de rua, bem como cobertores e roupas. O grupo que participa do projeto divulga algumas informações nas redes sociais, arrecada os alimentos para preparar as marmitas e pede doação de roupas. A ação é realizada principalmente nas regiões da Barra Funda e da Lapa, na zona oeste de São Paulo e, também no Centro.

Charles e Maria Cristina iniciaram o projeto

Charles e Maria Cristina iniciaram o projeto

Arquivo pessoal

As marmitas são distribuídas ainda na aldeia indígena do Jaraguá e na ocupação Nova Canudos, em Taipais, na zona norte, onde há mais de 200 famílias vulneráveis.

“Nós fizemos uma linha de transmissão com alguns amigos e familiares na internet e arrecadamos roupas, alimentos e cobertores. Era para ser uma ação isolada, uma vez só, mas a gente tem fome e frio toda hora né? Não dava para acontecer só uma vez”, relatou Charles.

Ainda de acordo com o comerciante, todas as segundas-feiras eles levam alimento para cerca de 150 pessoas e, quando acontece alguma tragédia, como o incêndio que atingiu a favela do Boi Molhado, eles realizam uma campanha mais forte para divulgar o projeto.  Além disso, o comerciante informou que como a ação foi acontecendo constantemente, algumas pessoas deixaram de ajudar sempre. “Às vezes nós precisamos tirar do nosso próprio bolso”.

Uma ação parecida é realizada em uma academia de Jiu-Jitsu na zona norte de São Paulo. Os professores e donos do local, Randal e Cecília Borges, comentaram com alguns alunos sobre o desejo de começar a distribuir cestas básicas assim que notaram que a situação na região onde trabalham e moram estava piorando com a chegada da pandemia.

Os alunos, amigos, e familiares começaram a levar alimentos soltos para que as cestas básicas fossem montadas. Pouco tempo depois, a academia decidiu começar a divulgar o projeto nas redes sociais. “Recebemos fardo de arroz, farinha, macarrão e vamos formando as cestas”, informou Randal. O professor disse também que algumas pessoas optam por realizarem Pix para ajudar no projeto, então ele vai ao supermercado e compra os alimentos.

A academia Randal Borges arrecada alimentos para distribuir cestas básicas

A academia Randal Borges arrecada alimentos para distribuir cestas básicas

Arquivo pessoal

Eles distribuem as cestas básicas nas regiões da Vila Nova Cachoerinha, Jardim Elisa Maria, Vila Penteado, Peri Alto, entre outras comunidades da zona norte de São Paulo.

Família ajudada

O R7 também conversou com uma família que foi ajudada por projetos sociais. Roberta Santos, de 42 anos, conta que a família inteira trabalha com transporte escolar e que na pandemia, com o fechamento das escolas, ela e seu marido ficaram “totalmente sem chão” e sem saber como manteriam a casa e sustentariam seus três filhos.

“Quando veio o anúncio do lockdown, nós imaginamos que eram 15 dias só, vimos notícias de mortes e todos os pronunciamentos do governo pedindo para a gente ficar em casa. Mas isso foi se estendendo. Os pais, também em crise financeira, ligavam informando que não precisavam mais dos nossos serviços. Ficamos sem nada”, relatou Roberta.

Ela conta, ainda, que passados três meses em casa e sem trabalho, a família precisou pedir ajuda. “Fiquei sabendo que um grupo arrecadava alimentos e distribuía cestas básicas, então eu liguei para a pessoa responsável, expliquei minha situação e mensalmente eu conseguia a cesta com alimentos básicos, mas já eram menos coisas com que precisávamos gastar. O auxílio emergencial que recebemos foi só para as contas da casa”.

A família disse que as coisas melhoraram após a volta às aulas e a filha mais velha ter conseguido um emprego. “Hoje, nós ajudamos projetos e, quando as coisas melhorarem, pretendemos ajudar mais ainda.”

*Estagiária sob supervisão de Ingrid Alfaya

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