São Paulo Engenheiro civil morto pela PM foi atingido por 2 tiros, aponta laudo

Engenheiro civil morto pela PM foi atingido por 2 tiros, aponta laudo

Investigação indica que um dos disparos pode ter sido efetuado para forjar uma troca de tiros em ocorrência no domingo (11)

  • São Paulo | Do R7

Momento quando engenheiro deixa carro

Momento quando engenheiro deixa carro

Reprodução/Record TV

O laudo necroscópico do engenheiro civil de 36 anos morto pela Polícia Militar de São Paulo aponta que ele foi atingido por dois disparos, no último domingo (11), sendo que um dos tiros, segundo as investigações, teria sido dado para forjar uma troca de tiros que não houve. As informações são da Record TV.

A reportagem sobre o caso foi exibida no Jornal da Record de terça-feira (13). Na ocasião, foi noticiada a prisão de três policiais militares envolvidos na ação. Nesta quarta-feira, parentes e amigos do engenheiro foram ouvidos no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, e a Justiça decretou a prisão dos PMs. 

Em contato com a reportagem por telefone, familiares disseram que a vítima tinha uma empresa de construção civil e era muito trabalhador. Eles preferiram não se identificar e estão com medo de represália por parte dos policiais.

A polícia ainda investiga o que aconteceu na noite da ocorrência. A suspeita é que o engenheiro, que voltsava dirigindo para casa depois de uma festa, não tenha parado quando foi abordado pelos PMs . A família da vítima contou que ele era cego de um olho e que pode não ter percebido a abordagem.

De acordo com Renato Soares do Nascimento, advogado dos policiais militares, "foi uma ação legítima". Segundo ele, "a pessoa era envolvida, sim, com a criminalidade, tem passagens inclusive por 157, crime de roubo e os policiais agiram em legítima defesa".

O caso

Eram 2h04 quando um veículo cinza, seguido por uma viatura da Polícia Militar, para no meio da rua. O motorista abre a porta do carro e cai ferido no chão. Dois dos três policiais envolvidos na ocorrência pegam o homem e o colocam no banco traseiro. Um policial assume a direção do carro, o que não é permitido por lei. Os outros dois voltam pra viatura e saem logo atrás.

Sete minutos depois, outra câmera de vigilância registra a viatura à frente do veículo. Eles estão a caminho de uma rua sem saída na periferia da zona sul de São Paulo, que fica a 1,5 km do local onde o homem foi parado. Ali, segundo a investigação, os policiais simularam um confronto com o motorista. O veículo fica encurralado no beco pela viatura, bem diferente da imagem registrada minutos antes.

O carro tem uma marca de tiro no porta-malas. A suspeita é que os policiais dispararam e mataram o homem durante a suposta perseguição.

Três horas depois do homem ser morto, um motociclista foi até a rua da abordagem e jogou areia no asfalto para apagar as manchas de sangue. A investigação acredita que ele seja um guarda noturno que foi ao local a pedido dos policiais.

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