São Paulo Escolas públicas de São Paulo são salvas por intervenções artísticas

Escolas públicas de São Paulo são salvas por intervenções artísticas

Projeto Escola Criativa já beneficiou 40 espaços em SP. Escola estadual Professora Carolina Augusta da Silva Galvão foi a última a receber projeto

Escolas públicas de São Paulo são salvas por intervenções artísticas

Estudante Raissa Soares da Silva vê projeto como arte e aprendizado

Estudante Raissa Soares da Silva vê projeto como arte e aprendizado

Edu Garcia / R7 / 23.10.2018

Refeitório tedioso, quadra de esportes cinza e piso desinteressante. Ao direcionar os olhos para o céu: prédios. Assim era a vista do espaço recreativo da escola estadual Professora Carolina Augusta da Silva Galvão, na Vila Prudente, na zona leste de São Paulo. Para reverter situações como essa, o projeto Escola Criativa entra em ação e traz cor as escolas.

Ativo desde 2011, o intuito do projeto é preencher espaços recreativos com intervenções artísticas, as quais os alunos possam não só brincar e interagir, mas também aprender.

No dia 29 de setembro, educadores, alunos e participantes do projeto se reuniram para pintar o espaço. “Alunos estavam sujos de tinta, mas com um sorriso no rosto, assim como todos nós”, contou a educadora e cabeça do projeto Raquel Ribeiro dos Santos. Desde então, durante o recreio, crianças brincam na amarelinha em 3D, tabuleiro de xadrez ou no mapa do Brasil.

“Hoje eu gosto de vir estudar, porque a minha escola é colorida e agradável”
Alan Rodrigo Condori, 10 anos

“Hoje eu gosto de vir estudar, porque a minha escola é colorida e agradável”, disse sorrindo o boliviano Alan Rodrigo Condori, de 10 anos, estudante do 5° ano — a escola recebeu apenas 5.5 pontos na última avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). “No recreio, todo mundo vem para cá brincar”, contou ele, que mudou para o país recentemente. 

O projeto se dá em três partes: a transformação tem início com um estudo realizado por uma equipe de educadores, designers, arquitetos e artistas sobre o espaço que irá receber a intervenção. Em seguida, cria-se um plano de ações que abarca a revitalização da área comum do colégio, como quadras, pátios e corredores, a partir de pinturas pedagógicas e instalação de mobiliários e equipamentos. Por fim, aplica-se um programa de formação de gestão cultural aos professores dentro da comunidade escolar para que a mudança se mantenha. “Os docentes são instruídos a trabalhar com linguagens artísticas já familiares aos mais novos”, relata a educadora.

“Temos um mapa do Brasil, então dá para brincar de descobrir os Estados brasileiros e suas capitais”, conta a estudante Raissa Soares da Silva, de 11 anos.

Durante a confecção das obras, artistas consagrados como Daniel Melim, Celso Gitahy, João Lelo, Presto, Tec Fase, entre outros, contribuem para a realização de um espaço recreativo agradável.

Boliviano, Alan Rodrigo aprova mudança artística na escola

Boliviano, Alan Rodrigo aprova mudança artística na escola

Edu Garcia / R7 / 23.10.2018

Dificuldades

Realizado por meio da lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal e patrocinado pela Pirelli e Machado Meyer Advogados, o projeto já transformou 40 escolas paulistas. Para participar é fácil: apenas solicitar a mudança artística para o Instituto.

Após a vitória do projeto da lei federal, é o momento de capitalizar recursos para tornar o projeto viável. Aí mora a maior dificuldade, segundo a educadora Santos. “Não são muitas as empresas que escolhem apoiar o nosso programa ou elas não tem muito dinheiro disponível”, diz. “E isso dificulta a expansão do Escola Criativa.”

“A arte urbana traz o diálogo entre estética e estrutura"
Raquel Ribeiro Santos , educadora

A aluna da 4ª série Ana Luísa de Alencar Silva, de 10 anos, vê o impacto do projeto como positivo em sua escola, e almeja que seja expandido. “A escola, se comparada com antes, é outra. Seria muito legal fazer isso em todos os outros colégios”, comenta.

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“A arte urbana traz o diálogo entre estética e estrutura. E isso não pode ficar de lado nas discussões de comunidades escolares. É preciso que todos estejam a par”, argumenta a educadora.

Carandiru

Palco de um massacre em que vitimou 111 detentos em 1992, o Carandiru, em Santana, na zona norte da cidade, hoje cedeu espaço a um complexo. No local, uma ETEC de Artes oferta cursos como dança, canto, arte dramática, regências, processos fotógrafos, produção de eventos, design de interiores e paisagismo.

“Nada mais justo do que uma escola de artes com intervenções artísticas”, disse Santos. No próximo dia 8 de dezembro, o espaço dará lugar ao movimento da Escola Criativa, onde pretende-se manifestar a democracia da arte ligada ao estudo.