São Paulo Esquartejador de Higienópolis é extremamente frio, analisa psiquiatra forense

Esquartejador de Higienópolis é extremamente frio, analisa psiquiatra forense

Criminoso espalhou partes do corpo em diferentes pontos; vítima não foi identificada

Esquartejador de Higienópolis é extremamente frio, analisa psiquiatra forense

Pedaços do corpo foram colocados em sacos de lixo; cabeça ainda não foi localizada

Pedaços do corpo foram colocados em sacos de lixo; cabeça ainda não foi localizada

Reprodução/Rede Record

A polícia tenta descobrir quem está por trás do esquartejamento de um homem, ainda não identificado, cujas partes do corpo foram espalhadas, neste domingo (23), em uma região nobre de São Paulo. O crime intriga e ainda é um mistério, mas, por ora, há uma certeza, de acordo com o psiquiatra forense Guido Palomba: o autor é alguém dotado de uma frieza incomum.

— Todo crime, sem exceção, é uma fotografia exata e em cores do comportamento do indivíduo. Quem conhece o comportamento, conhece dados do psíquico [...] Então, o que nós temos com base neste pedacinho minúsculo da fotografia do crime? Temos um indivíduo que age com uma frieza muito grande. Para picar um corpo, quem participou, obrigatoriamente, tem que ter muita frieza.

Palomba completa, enfatizando que uma pessoa com valores éticos e morais não conseguiria realizar um esquartejamento.

— É um ato grotesco, bárbaro, de extrema agressividade. É você cortar um ser humano com absoluta insensibilidade. Se a pessoa não for extremamente insensível, não faz. É preciso insensibilidade moral, ausência de sentimentos superiores, como  piedade, altruísmo, compaixão. É a ausência de ressonância afetiva. Até mesmo respeito ao cadáver. Pessoas com algum valor ético e moral têm um certo respeito.

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Sobre o fato de as pontas dos dedos das mãos terem sido cortadas e a pele do tronco, retirada, o psiquiatra, assim como a polícia, cogita, como hipótese mais provável, que tenha sido um artifício usado pelo criminoso para dificultar a identificação da vítima.

— É bem provável que tenha sido isso. Agora, se não foi, viria uma pergunta: Seria algum comportamento ritualístico? Tudo leva a crer que foi para ocultar a identidade da vítima. Se não for nada disso, pode ser que estejamos diante de um delito ritualístico. Mas isso só depois poderemos saber. Está tudo muito incipiente.

O crime

Por volta das 9h deste domingo (23), um morador de rua, que vasculhava o lixo na esquina das ruas Sergipe e Sabará, encontrou as primeiras partes do corpo. Duas pernas, cortadas abaixo do joelho, e dois braços estavam dentro de um saco preto. As pontas dos dedos das mãos foram decepadas, de acordo com a polícia, a fim de dificultar a identificação digital. O morador chamou um comerciante local, que pediu ajuda para policiais militares que faziam uma ronda na área.

Às 12h30, o tronco, que estava envolto em um vestido vermelho, foi localizado, também em sacos de lixo, dentro de um "carrinho de feira" entre as ruas Mato Grosso e José Eusébio, junto ao Cemitério da Consolação. A pele havia sido retirada. Dentro do saco, havia um par de sapatos masculinos.

Pouco depois, na rua da Consolação, também próximo ao cemitério, foi localizado o terceiro saco. Dentro dele, estavam as coxas envoltas em plástico, amarrados com durex e fita crepe. Nos três sacos, havia pelos e cabelos, que foram encaminhados ao Instituto de Criminalística. A cabeça não foi encontrada.

Indagado se a polícia trabalha com alguma linha específica de investigação, o delegado Itagiba Antonio Vieira Franco, diretor da Divisão de Homicídios do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), afirma que o "leque está aberto". Na avaliação dele, a identificação da vítima será fundamental para que se chegue à resolução do caso.