Ex-médico esquartejador Jorge Farah é achado morto em casa

Ele teria de cumprir 14 anos de prisão por crime ocorrido em 2003

Movimentação em frente à casa de Farah Jorge Farah
Movimentação em frente à casa de Farah Jorge Farah Claudinei Ligieri/Futura Press/Estadão Conteúdo
O ex-médico Farah Jorge Farah
O ex-médico Farah Jorge Farah Hélvio Romero/30.05.2007/Estadão Conteúdo

O ex-médico Farah Jorge Farah, 68 anos, foi encontrado  morto, às 12h30 desta sexta-feira (22), dentro de sua casa, na Vila Mariana, momentos antes de ser preso. A polícia havia ido ao local após a Justiça determinar que ele começasse a cumprir pena por matar e esquartejar a amante em 2003.

De acordo com policiais do Departamento de Capturas de Polícia Civil, Farah teria cometido suicído assim que os agentes quebraram vidros para entrar na casa. A perícia vai analisar as circunstâncias da morte.

O ex-médico morreu em seu quarto, com cortes nas veias femorais (veias da região do quadril, cujo corte pode ser mortal). Um bisturi, que teria sido usado por ele para provocar o ferimento, foi apreendido.

Farah vestia roupas femininas — um espécie de top e calça legging — e aparentava estar com seios, possivelmente devido a um sutiã. O aparelho de som estava ligado. Tocava uma música classificada por Gonçalves como "fúnebre".

O delegado disse que só entrou na casa após receber um mandada por whatsapp. O documento havia, segundo Gonçalves, sido recebido por um auxiliar seu na delegacia.

Familiarias do ex-médico foram ao local no início da tarde Marcelo Gaspar Gomes Raffaini, advogado do ex-médico que acompanhou os parentes, afirmou que seu cliente tinha problemas mentais, atestados por exame pedido pela Justiça. O advogado não atribuiu a morte à ação da polícia. "Por ora, não tenho informações sobre irregularidades na ação policial", disse.

Vida reclusa

De acordo com vizinhos, Farah tinha uma vida reclusa. Sonia Cristina Rodrigues, que mora ao lado da casa do ex-médico, afirma que ele saía pouco e recebia poucas visitas. "Mas não era antipático", disse. 

Segundo ela, o isolamento de Farah devia-se mais à vizinhança, que preferia manter-se distante, do que a uma atitude dele.

Ainda conforme a vizinha, próximo à casa do ex-médico, há um ponto de ônibus, onde costuma ficar uma moradora de rua com que o ex-médico conversava. Já há algum tempo, Farah havia optado por se vestir com roupas femininas e havia implantado silicone. E já costumava ouvir músicas "sinistras", nas palavras de Sônia, como a que colocou nesta sexta pouco antes de sua morte.

O crime

Cirurgião plástico, Farah confessou ter matado e esquartejado sua amante e paciente Maria do Carmo Alves, 46 anos, em 24 de janeiro de 2003. O crime ocorreu no consultório em que trabalhava. Após colocar o corpo no portamalas de seus carro, o ex-médico comunicou a polícia, dizendo-se arrependido.

Para dificultar a identificação do corpo, Farah havia removido a pele da face, das mãos e dos pés da vítima, guardando os restos mortais em sacos plásticos no porta-malas de seu veículo. Após o crime, o então médico chamou a polícia.

Em 2007, por 4 votos a 1, a Segunda Grupo do Supremo Tribunal Federal concedeu um habeas corpus para que ele respondesse ao processo em liberdade. Com o diploma cassado pelo Conselho Federal de Medicina em 2006, Farah voltou a estudar e, em 2010, passou no vestibular na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Em 2014, Farah foi condenado a 16 anos de reclusão em primeira instância por homicídio duplamente qualificado: motivo torpe, por não dar chance de defesa à vítima e ocultação e destruição de cadáver. Mas ainda manteve o direito aguardar julgamento do recurso solto. Ainda em 2014, a pena foi reduzida para 14 anos.

Prisão

Na quinta-feira, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) julgou pedido do Ministério Público e determinou a imediata execução provisória da pena do ex-médico.

A corte havia começado a analisar o pedido em agosto. O relator do caso, ministro Nefi Cordeiro, votou, ainda no mês passado, pela prisão do ex-médico. Houve, porém, um pedido de vista do ministro Sebastião Reis Júnior que protelou a conclusão do julgamento.

Na sessão de quinta-feira (21), o julgamento foi concluído com o colegiado acolhendo o pedido do Ministério Público e rejeitando o recurso especial por unanimidade.

*Com Ana Beatriz Azevedo, estagiária do R7.

Leia mais notícias de São Paulo