São Paulo Famílias esperam até 3h em fila na Ceagesp para ter o que comer

Famílias esperam até 3h em fila na Ceagesp para ter o que comer

O entreposto não consegue atender à alta demanda. A cada semana, 600 pessoas recebem chamado para buscar alimentos

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Famílias enfrentam uma fila gigantesca, de pelo menos três horas de espera, para receber uma cesta de alimentos doados pela Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). Em cada sacola vazia, há uma história de desespero e o medo de passar fome. As informações são da Record TV.

São cinco mil famílias que dependem da distribuição gratuita de alimentos na Ceagesp para pôr comida na mesa há pelo menos um ano. O entreposto não consegue atender à alta demanda e, por isso, a cada semana, 600 pessoas do banco de cadastrados recebem o chamado para buscar os alimentos.

Marcelino Santos Neto é deficiente visual e o que ganha não paga as contas. "Desde segunda-feira que eu não me alimento e falaram que, se eu conseguisse doação aqui, eu poderia comer durante 15 dias. Ou eu pago água e luz ou pago a conta de telefone para poder me comunicar com as pessoas", diz.

Famílias esperam até três horas em fila na Ceagesp para ter o que comer nos próximos dias

Famílias esperam até três horas em fila na Ceagesp para ter o que comer nos próximos dias

Reprodução Record TV

A dona de casa Luana Silva encarou a fila com a filha (que usa próteses para andar) em pé: "Tem uns 15 dias que eu venho. Eles entregam feijão, arroz, verdura e legumes. Tá difícil, tudo caro".

O dia de encher a sacola é ansiosamente esperado. "É o arroz, é o feijão, vem farinha, já ajuda bastante", conta a dona de casa Ivete Alves.

Sem condições de aumentarem a renda da família, muitos idosos contam que tiveram de cortar a carne do cardápio. Algumas pessoas relataram que a ausência da proteína já dura uns 8 meses. A alternativa é o ovo, que também teve alta no preço.

O custo da cesta básica na capital paulista é de R$ 1.094,80, segundo o Procon. No entanto, milhares de famílias não recebem nem metade dessa renda por mês para se sustentar.

Alessandra Damascena tem sei crianças e renda de R$ 480 por mês para sobreviver. Ela precisou mandar dois filhos para morar com o pai para que eles pudessem se alimentar melhor. "Situação tá difícil. Tô desempregada. Tô com quatro, o que já fica pesado para mim. Tô à procura de emprego", revela.

Ela recebeu doações na Ceagesp e garantiu a refeição da família: "Hoje eles vão comer arroz, feijão e uma salada".

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