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Fechado, Santa Marcelina empurra pacientes para hospital lotado

Quatro serviços da casa de saúde foram parados pela Vigilância Sanitária

São Paulo|Gustavo Basso, do R7

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Atendimento na tarde desta terça-feira (5) no hospital Planalto, na zona leste de São Paulo
Atendimento na tarde desta terça-feira (5) no hospital Planalto, na zona leste de São Paulo

Wellington Barbosa Santos conta ter chegado às 8h da manhã no hospital municipal Waldomiro de Paula, conhecido como hospital Planalto. Às 14h30 ele havia conseguido se consultar com um médico e fazer uma radiografia da clavícula, trincada após cair de uma escada. O retorno com o médico para analisar o exame, no entanto, não tinha previsão para acontecer.

“Aqui sempre é demorado, não é uma novidade. Se você entrar lá, vai encontrar um rapaz sentindo muita dor e deitado no chão do corredor."


O hospital Planalto, localizado no bairro de Itaquera, zona leste de São Paulo, é uma das alternativas ao Santa Marcelina, que desde a quinta-feira (30) tem o pronto-socorro, a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e o setor de quimioterapia interditados para novos atendimentos após inspeção da Vigilância Sanitária do Estado.

Santos diz ter ido até a porta do Santa Marcelina, onde não foi atendido, apesar da informação da assessoria do hospital de que o pronto-socorro de ortopedia permanece aberto. “Falaram lá para nós virmos para cá, não tivemos nenhuma atenção."


Wellington Barbosa Santos foi atendido no hospital Planalto
Wellington Barbosa Santos foi atendido no hospital Planalto

A administração do Santa Marcelina diz que enquanto o plano de readequação não é elaborado, e os atendimentos normalizados, os pacientes que buscam o hospital são orientados a buscar a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 26 de Agosto, conhecida como UPA Sócrates, localizada a 1,5 km dali.

Com uma fratura no joelho, Elan Candido Alves, de 28 anos, espera ser removido da UPA Sócrates após atendimento. Ao ser informado que a ortopedia do Santa Marcelina continuava funcionando, de acordo com a administração do hospital, preferiu ir para lá sozinho, dirigindo.


“Aqui perto não tem nenhum hospital para remoção, teria que ir para o Tatuapé, talvez. Porque o único por aqui para atender isso é o Santa Marcelina. Estou aqui há bastante tempo e não me disseram que a ortopedia de lá está aberta, senão já teria ido antes”, conta.

Elan Candido Alves, com uma fratura no joelho, busca atendimento
Elan Candido Alves, com uma fratura no joelho, busca atendimento

Apesar da demora na remoção, a UPA se encontrava com pouco movimento nesta terça-feira (5). “Até para nós é estranho esse baixo movimento”, comenta o gerente da unidade, Christian Gonçalves, que diz que o fechamento dos atendimentos no Santa Marcelina não afetou a demanda pela unidade. “Até agora não sentimos nenhum impacto; talvez com o tempo, mais para a frente, venha a acontecer."


Situação no Santa Marcelina

Com a filha de 31 anos fazendo quimioterapia no hospital Santa Marcelina há um mês, Mauro Costa, 53 anos, reclama das condições do prédio. “Não quero o fechamento, quero que melhore a condição aqui. Mas o prédio está, de cima a baixo, todo sujo. E aí a pessoa que já está com imunidade afetada pela quimioterapia corre o risco de ter uma infecção. Quanto ao atendimento, não posso reclamar, o problema é a superlotação, a demora provocada por ela”, diz.

Em nota, a Secretária de Saúde do Estado afirma que "o Centro de Vigilância Sanitária Estadual determinou a interdição cautelar e parcial da unidade de internação cirúrgica, do ambulatório de quimioterapia e de uma das UTIs adulto do hospital Santa Marcelina de Itaquera, pois foi constatada insuficiência de profissionais (superlotação) para o atendimento e problemas estruturais, tais como falta de ventilação e ausência de espaço físico adequado para acomodar os pacientes."

No pronto-socorro clínico são 50 pacientes, em média, para os 20 leitos disponíveis. Já no pronto-socorro cirúrgico, a situação é mais grave, com 40 pacientes internados em média para os 14 leitos — 26 a mais que a capacidade. Desde o dia 30 não são encaminhadas ambulâncias para o hospital.

Além do pronto-atendimento de ortopedia, a assessoria de imprensa do hospital Santa Marcelina afirma que funcionam normalmente o socorro de ginecologia e pediatria. Todos os serviços de atendimento a planos de saúde do hospital também estão atendendo, uma vez que apenas os atendimentos conveniados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) foram interditados.

Segundo a administração do hospital, 87% dos atendimentos do Santa Marcelina são feitos pelos SUS, que recebe “de porta-aberta” (aceitando qualquer paciente) para pronto-socorro clínico, cirúrgico, de ginecologia e obstetrícia e pediátrico. São recebidos pacientes referenciados, de outros serviços de saúde e também de demanda espontânea.

A nota da secretaria afirma que “não houve determinação para suspensão de atendimento no pronto-socorro da unidade, apenas para admissão de novos pacientes". "No entanto, casos de extrema urgência devem continuar a ser recebidos pela unidade.”

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