São Paulo Fernando Haddad encolhe e perde relevância, assim como o PT

Fernando Haddad encolhe e perde relevância, assim como o PT

O candidato à presidência em 2018 pelo PT ninguém mais sabe, ninguém viu: tem resumido sua atuação política a posts debochados e irônicos no Twitter

  • São Paulo | Marco Antonio Araujo, do R7

Haddad foi considerado herdeiro de Lula, mas sumiu, ninguém sabe, ninguém viu

Haddad foi considerado herdeiro de Lula, mas sumiu, ninguém sabe, ninguém viu

Reprodução internet

Fernando Haddad aparenta pouca disposição para administrar seu papel nacional de liderança petista e herdeiro involuntário dos votos lulistas em 2018. De lá para cá, não fossem suas incursões de comentarista no Twitter, sua vida pública seria rigorosamente nula.

O professor, apontado como proeminência da esquerda, festejado no Largo da Batata, Vila Madalena e adjacências, declinou da unanimidade como candidato natural do PT à prefeitura de São Paulo. E nenhum companheiro o acusou de covardia ou estrelismo, tamanha a certeza universal de que seria destroçado em qualquer segundo turno.

Mas o ex-prefeito poderia ter a elegância ou desprendimento de dar a cara à tapa na campanha de Jilmar Tatto (lembram dele?). Que deselegante. Nem santinho dos dois juntos foi visto por aí – ou sequer um abração sincero, daqueles que a companheirada se dava na década de 90. Limitou-se a um apoio distante, protocolar. Significa.

O nível do engajamento a que Haddad está disposto a assumir se resume a posts como o desta terça (1), sobre a ida de Sergio Moro para a iniciativa privada, defender interesses de um influente escritório de advocacia com clientes supostamente pouco patrióticos – segundo, no caso específico, da insuspeita Lava Jato:

Haddad tem se dedicado a fazer comentário debochados e irônicos no Twitter

Haddad tem se dedicado a fazer comentário debochados e irônicos no Twitter

Reprodução Twitter

Não é um deboche? Certamente, nada que se espere de um estadista. Está mais para alguém que esteja se candidatando à vaga de humorita de internet ou blogueirinho descolado. E usar o termo “golpe”, logo essa palavra que o então candidato à presidência considerou “muito dura”?

Já disse, repito: Haddad é um tucano que deu certo. Um equívoco de trajetória, mas que merece alguma simpatia. Ou piedade, tamanho o encolhimento do personagem. Nunca é tarde. O PT levou uma surra, só burocratas do partido negam. O PSDB também levou um belo chega pra lá Brasil afora.

Por que o professor e ex-prefeito não admite a hipótese de respirar novos ares, mais liberais no sentido europeu, menos radicais no sentido Boulos? Difícil alguém achar que Fernando Haddad é um cara do mal. Boa gente, mas incapaz de dizer que se meteu numa fria, da qual é difícil sair sem parecer ingrato.

O fato é que o PT diminuiu muito em três anos. Nem Haddad cabe mais nele.

Últimas