São Paulo Gegê do Mangue pode ter sido morto por desviar dinheiro do PCC

Gegê do Mangue pode ter sido morto por desviar dinheiro do PCC

A suspeita é de que ele usava recursos desviados dos negócios que fazia em nome da facção criminosa para usufruir de uma vida de luxo

Líderes do PCC podem ter sido mortos por desviar dinheiro da facção

Rogério Jeremias seria um dos poucos líderes do PCC em liberdade

Rogério Jeremias seria um dos poucos líderes do PCC em liberdade

Reprodução/Rede Record

Investigadores que apuram a morte de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, maior liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital) em liberdade até sua morte, trabalham com a hipótese de que ele tenha sido assassinado como punição por desviar dinheiro das operações que comandava pela facção. Junto com Gegê, o comparsa Fabiano Alves de Souza, o Paca, também foi morto.

A suspeita é a de que Gegê usava recursos desviados dos negócios em nome da facção criminosa para usufruir de uma vida de luxo e de que ele havia comprado carros, imóveis e joias — algumas teriam sido encontradas com o corpo dele.

"Estas mortes podem significar um racha entre a cúpula do PCC"
Lincoln Gakiya, promotor do Gaeco

Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Venceslau, um dos maiores especialistas em acompanhar os movimentos da facção, "o assassinato de dois criminosos dessa importância só ocorreria com o aval da cúpula", que em boa parte está presa.

"Estas mortes podem significar um racha entre a cúpula. Eles têm outros comparsas presos na penitenciária e alguns outros comparsas em liberdade, isso pode gerar um atrito entre eles. Talvez seja o primeiro racha interno [da facção]", explica o promotor.

Gakiya também confirma que os dois estariam "gastando bastante dinheiro na região" e que o helicóptero que foi apontado como utilizado para matá-los, na verdade, estava sendo usado por Gegê e Paca para se locomoverem pelo Ceará. "Eles foram transportados de helicóptero até o local onde foram assassinados", explica o promotor.

"Eles foram emboscados e traídos por alguém próximo deles"
Lincoln Gakiya, promotor do Gaeco

Gegê e Paca estariam no Ceará para visitar familiares, que são de São Paulo, mas viajaram para encontrá-los para aproveitar o movimento de turistas em férias na região, fazendo com que passassem despercebidos. "Eles foram emboscados e traídos por alguém próximo deles", conclui Gakiya.

A Policia Civil do Ceará está investigando todas as hipóteses e não confirma de forma oficial quem são os autores do crime ou qual a motivação.

Traficantes foram mortos em reserva indígena

As mortes teriam ocorrido na madrugada de sexta-feira (16), em uma reserva indígena em Aquiraz, a 30 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, e os corpos foram encontrados na manhã seguinte.

Testemunhas relataram à polícia cearense que um helicóptero pousou na região e logo depois foram ouvidos uma sequência de disparos. Investigadores paulistas acreditam que tenha sido montada uma emboscada contra Gegê e Paca.

Os corpos só foram identificados horas depois, mas a mensagem se espalhou rapidamente pelo sistema prisional paulista dando conta das mortes.

Outras hipóteses, além da possibilidade de uma punição por desvio de dinheiro da facção, estão sendo consideradas para o caso. Entre elas a de que a morte de Gegê tenha ocorrido em represália ao assassinato de Edilson Borges Nogueira, o Birosca, que aconteceu em 5 dezembro na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Ele possuía funções na Sintonia Final, cúpula da facção, e foi morto a golpes de estilete.

Outra possibilidade é que, nas ruas, Gegê estava ganhando mais poder do que os líderes presos do PCC desejavam.

Gegê era procurado pela polícia paulista

Gegê do Mangue ficou preso por dez anos, mas, no ano passado, foi solto por um habeas corpus expedido pela Vara de Execuções de Presidente Prudente. Ele teve a prisão decretada novamente, e desde então era considerado foragido.

Acreditava-se que Gegê estava comandando negócios do PCC fora do país, principalmente na Bolívia e no Paraguai. Gegê tinha passagens por homicídio, roubo e tráfico de drogas.