São Paulo Julgamento de PM de suposto grupo de extermínio começa nesta terça

Julgamento de PM de suposto grupo de extermínio começa nesta terça

Soldado foi expulso da Polícia Militar em fevereiro deste ano, depois de ser acusado de participar de crimes em Mogi das Cruzes, na Grande SP

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Foto tirada pela perícia no local do crime

Foto tirada pela perícia no local do crime

Reprodução/Processo

O julgamento do policial militar expulso da corporação Fernando Cardoso Prado de Oliveira deve ter início nesta terça-feira (30), a partir das 13h, no Fórum de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.

O júri vai decidir se condena o ex-PM acusado de ter participado do assassinato do estudante Matheus Aparecido da Silva, 16 anos, e da tentativa de homicídio contra outros dois rapazes, na madrugada de 15 de novembro de 2013, no bairro de São João, em Mogi das Cruzes.

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No dia 15 de fevereiro deste ano foi publicado no Diário Oficial do Estado a expulsão do então soldado da Polícia Militar. Ele está preso, juntamente com outro ex-policial militar, suspeito de ter praticado outros assassinatos no município.

Segundo o promotor de Justiça Kleber Henrique Basso, em denúncia oferecida em fevereiro de 2016, o ex-policial militar praticava “atividade típica de grupo de extermínio”.

Na noite do crime contra Matheus e os dois amigos, Felipe Bueno Ferreira, suposto comparça do ex-PM, também terminou morto. De acordo com a denúncia, Ferreira teria sido atingido com um disparo acidental enquanto atiravam contra as três vítimas.

O crime

Segundo o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), o estudante Matheus estava andando com outros dois amigos, na madrugada de uma sexta-feira, quando o então policial militar Cardoso, juntamente com o suposto comparsa Ferreira e outras duas pessoas não identificadas, desceram de um Fiat Pálio branco, vestindo touca ninja, e dispararam contra eles.

Quando começaram os disparos, Matheus teria começado a correr para tentar fugir. No entanto, os quatro suspeitos continuaram atirando contra o jovem. Um dos disparos, que teria sido efetuado pelo então PM Cardoso, atingiu um dos integrantes do grupo — o Ferreira —, que morreu no local.

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Os homens ainda atiraram contra os dois amigos de Matheus. Uma das vítimas chegou a levantar as mãos, mas levou um tiro na nuca. Ele foi socorrido e sobreviveu. O outro rapaz se jogou no chão e teria fingido estar morto durante os tiros, não sendo atingindo.

Os dois sobreviventes e outras oito testemunhas devem ser ouvidas durante o julgamento. Uma das pessoas que vai depor é a mãe de Matheus, Claudete Rodrigues do Espírito Santo, 39 anos. “Não tenho conseguido dormir, estou ‘chorona’, quero que ele seja condenado e continue preso”, disse Claudete.

Segundo o promotor Basso, “os crimes foram cometidos por motivo torpe, pois os denunciados pretendiam dar cabo à vida das vítimas em razão destas serem usuárias e envolvidas com drogas”.

Para a Justiça, a defesa do ex-policial militar disse que não existe no processo “nenhuma prova clara, nem documental ou testemunhal para comprovar realmente o que alega na peça acusatória”, negando o envolvimento de Cardoso nos crimes.

Série de assassinatos

Chacinas e ataques a tiros em bairros periférios de Mogi das Cruzes deixaram 21 pessoas mortos em pouco mais de seis meses, entre novembro de 2014 e julho de 2015. A violência resultou na formação de um grupo de familiares das vítimas, chamado Mães Mogianas.

O movimento organiza manifestações e rodas de conversas entre as mães das vítimas dos crimes de Mogi das Cruzes, além de participar de atos com mães de outras vítimas de violência do Estado, sobretudo mortos pelas forças policiais.

Uma das lideranças das Mães Mogianas, Claudete afirma que a possível condenção do ex-policial militar Cardoso "com cerceza é uma vitória de todas as mães".

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