Júri condena assassino de dançarina a 11 anos, mas descarta feminicídio
Antes de acusação e defesa falarem, o réu pediu perdão para família da vítima
São Paulo|Giorgia Cavicchioli, do R7

Anderson Rodrigues Leitão, acusado de matar a ex-namorada Ana Carolina de Souza Vieira, foi condenado, nesta terça-feira (5), a 11 anos e quatro meses de reclusão (inicialmente em regime fechado) por um júri popular composto por cinco mulheres e dois homens.
Ao ouvir a condenação, uma mistura de choro e riso tomaram conta do rosto de Leitão. Ao mesmo tempo, ele juntou as mãos que estavam algemadas e disse: "Obrigado, Deus". No começo de seu julgamento, ele pediu perdão à família da vítima.
A reação de Leitão foi diferente da mãe de Ana Carolina, Antônia de Souza Holanda, que estava presente durante todo o julgamento. Ao ser questionada pela reportagem do R7 sobre o que achou da decisão, dona Antônia disse estar "decepcionada". "Eu esperava que fosse uma condenação compatível com a crueldade do crime", disse.
A decepção da mãe de Ana Carolina vem pelo fato de o júri ter descartado a tese de feminicídio (homicídio praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino) e a de ocultação de cadáver — após o crime, Leitão deixou o corpo da dançarina durante dois dias em estado de decomposição, dentro do quarto dela, e acendeu incensos para disfarçar o mau cheiro.
O júri decidiu, no entanto, acatar a tese de impossibilidade de defesa da vítima e furto — o réu levou uma quantia em dinheiro, o cartão da conta-poupança e o celular da vítima com ele.
Leitão foi julgado no fórum criminal da Barra Funda. Antes de a acusação e a defesa falarem, o réu afirmou que estava arrependido de ter cometido o crime e afirmou que só matou Ana Carolina porque estava tomado por forte emoção.
Após a fala de Leitão, a acusação disse que ele teve tempo de se arrepender no momento do crime. Segundo a acusação, ele enforcou a dançarina por trás e impossibilitou a defesa dela.
Durante todo o tempo em que esperava a fala da acusação terminar, Leitão estralava o pescoço, apertava e lambia os lábios.

Julgamento
O julgamento de Leitão começou por volta das 14h30 e teve uma pausa de 20 minutos, por volta das 16h15.
A defesa, que começou a falar por volta das 16h50, afirmou que o réu não é bandido e que sofre pelo crime que cometeu. Alegou também que a relação entre os dois era difícil de ambas as partes.
Segundo a defesa, Ana Carolina trabalhava como garota de programa e, no dia do crime, teria atendido uma ligação de um cliente na frente de Leitão. Depois disso, teria começado uma discussão entre os dois e o rapaz teria agido por forte emoção, agarrando a vítima pelo pescoço e causando a morte dela.
O réu chorou ao ouvir a advogada de defesa, que leu mensagens que foram trocadas entre ele e a vítima.
A pena de Leitão foi lida às 19h40 desta terça-feira (5).
A mãe de Anderson Leitão estava presente ao julgamento, mas não conversou com a reportagem.
O caso
Ana Carolina de Souza Vieira foi assassinada por Anderson Rodrigues Leitão no dia 2 de novembro de 2015. Á época, Leitão contou que teve uma discussão com a ex-companheira. "Ela veio pra cima de mim, daí eu revidei, e, por ter mais força, eu acabei fazendo o que eu fiz", disse.
Dias depois do homicídio, o corpo da bailarina, que continuava no local, começou a exalar um mau cheiro que incomodou os vizinhos.
Segundo o boletim de ocorrência, os zeladores do prédio sentiram um cheiro forte na manhã da quarta-feira, 4 de novembro, vindo do 5º andar. Eles tocaram a campainha do apartamento onde Ana Carolina morava, mas ninguém atendeu.
Os zeladores perceberam que a porta estava destrancada e entraram chamando pelos moradores. Em seguida, encontraram o corpo na cama do quarto, coberto. Leitão foi preso no dia 5 de novembro.














