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‘Macho alfa, fêmea beta’: veja mensagens enviadas por policial dias antes de feminicídio

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto é réu pela morte da mulher dele, Gisele Alves Santana

São Paulo|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto é réu pelo feminicídio da esposa Gisele Alves Santana.
  • Mensagens revelam controle e machismo, onde ele se autodenomina "macho alfa" e exige que ela seja "fêmea beta" submissiva.
  • Discussão entre o casal antes do crime indica um relacionamento violento e manipulação de Geraldo sobre Gisele.
  • Geraldo já tinha histórico de violência e é acusado de alterar a cena do crime para simular suicídio após a morte de Gisele.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mensagens trocadas entre Geraldo Neto e Gisele Santana revelam machismo e violência psicológica
Mensagens trocadas entre Geraldo Neto e Gisele Santana revelam machismo e violência psicológica

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da mulher dele, a soldado Gisele Alves Santana, se autoproclamava “macho alfa provedor” e exigia que a companheira fosse “fêmea beta obediente e submissa”.


“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa - Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”.

As mensagens, extraídas do celular de Geraldo, foram apresentadas em uma denúncia oferecida pelo Ministério Público à Justiça de São Paulo na quarta-feira, 18. A 5ª Vara do Júri de São Paulo aceitou a denúncia e decretou a prisão preventiva do policial militar.


A defesa de Geraldo Neto afirma que informações e interpretações da “vida privada” do tenente-coronel estão sendo divulgadas “por meio de conteúdos descontextualizados” e que atingem a honra e a dignidade do policial militar.

O tenente-coronel já havia sido preso após decisão da Justiça Militar no âmbito de uma investigação conduzida pela Corregedoria da PM. Pela Polícia Civil, ele foi indiciado por feminicídio e fraude processual.


Relacionamento conturbado e violência

Segundo a promotoria, as mensagens indicam um relacionamento conturbado e marcado por violência, e apontam que o desejo da separação não teria partido do tenente-coronel - mas, sim, da própria Gisele.

Abaixo, um trecho de um diálogo apresentado pelas promotoras Ingrid Maria Bertolino Braido e Daniela Romanelli da Silva, que aconteceu em 2 de fevereiro, poucos dias antes da morte de Gisele.


Geraldo diz: “Eu invisto todos os meses, 3 mil reais de aluguel, 2 mil reais de condomínio, 500 reais de água e luz, 500 reais de gás, fora as coisas que eu compro de mercado e todas as vezes que nós saímos eu pago tudo sozinho (...) e você investe quanto? Não tem dinheiro, blz. Investe amor, carinho, atenção, dedicação sexo.... mas nem isso você faz”.

Gisele responde: “Se você acha que só contribuindo com o dinheiro já está fazendo sua parte, ótimo, mas pra mim não é assim que funciona, nunca foi assim e não vai ser agora que vai mudar.” (...) “por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”.

Segundo as promotoras, essas mensagens foram enviadas dois dias antes do crime.

“Tais mensagens, dentre tantas outras acostadas aos autos, revelam um comportamento machista, agressivo, possessivo, manipulador e autoritário”, afirma o MP-SP.

Histórico

Conforme descrito em decisão do Tribunal de Justiça Militar, durante uma discussão em 18 de fevereiro na residência do casal — um apartamento localizado no Brás, região central de São Paulo —, o tenente-coronel teria imobilizado Gisele por trás com a mão esquerda, segurado a região da mandíbula dela e, com a mão direita, efetuado um disparo contra a têmpora da vítima.

Além disso, segundo as autoridades, há indícios de que o tenente-coronel também teria alterado a cena do crime após o disparo para simular um suicídio. Segundo a versão da defesa, Gisele atentou contra a própria vida após Neto informar que queria a separação. A acusação também destaca que o policial militar já possuía histórico de violência contra ex-companheiras e colegas de trabalho.

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