São Paulo Mãe de Gael diz não se lembrar da morte do menino, diz advogado

Mãe de Gael diz não se lembrar da morte do menino, diz advogado

Defesa diz que ainda que a mãe da criança tem traumas por conta de uma relação abusiva com o pai da filha mais velha

  • São Paulo | Isabelle Gandolphi e Mariana Rosetti, da Agência Record, com informações da Record TV

Laudo aponta ferimentos na testa do garoto causados por anel usado pela mãe

Laudo aponta ferimentos na testa do garoto causados por anel usado pela mãe

Reprodução/ Record TV

A mãe de Gael de Freitas Nunes, de 3 anos, afirma não se lembrar do momento da morte da criança. De acordo com o advogado de defesa da mulher, Fábio Costa, ela teria relatado um lapso de memória entre a noite de domingo (9) e a tarde da segunda-feira (10).

A mulher, presa na madrugada desta terça-feira (11), disse que se lembra de estar deitada com Gael e sua filha mais velha quando sentiu seu corpo quente. Ela teria ido tomar banho, dormido e acordado apenas no momento em que várias pessoas a tiravam do chuveiro.

O advogado afirmou ainda que a mãe de Gael tem traumas por conta de uma relação abusiva que teve com o pai da sua filha mais velha. Esses problemas afetaram tanto sua vida pessoal, quanto a profissional, já que ela não trabalha há muito tempo.

A mulher não soube dizer qual foi seu último emprego e, segundo o advogado, a mulher tem dificuldade na escrita. A mulher, de 37 anos, passará por audiência de custódia no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A defesa afirmou que pedirá o relaxamento da prisão da acusada.

O caso

Gael de Freitas Nunes, de 3 anos, morreu com sinais de agressão no bairro Bela Vista, região central de São Paulo, nesta segunda-feira (10). A mãe foi presa em flagrante e é a principal suspeita pelo crime. O caso ocorreu na Alameda Joaquim Eugênio de Lima, número 101, na Bela Vista, durante o período da manhã. A Polícia Militar foi acionada por volta das 12h.

A 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) registrou o caso como homicídio qualificado consumado com emprego de meio insidioso ou cruel, ou que resulte em perigo comum, e indiciou a mãe de Gael.

O boletim de ocorrência foi realizado com base em oito relatos de testemunhas, além do da indiciada, com acréscimo de dados dos laudos periciais. A tia-avó do garoto Gael, de 73 anos, contou que deu mamadeira para a criança por volta das 9h e os dois ficaram na sala assistindo televisão.

Pouco depois, Gael foi para a cozinha, onde estava a mãe. A tia-avó permaneceu na sala e a irmã do menino, de 13 anos, estava no quarto. A tia-avó contou que ouviu a criança chorar, mas pensou que ele queria o colo da mãe, como era comum. Ela chamou, então, Gael para voltar a assistir desenho, mas a mãe respondeu que o filho iria ficar na cozinha.

Cerca de cinco minutos depois a idosa escutou barulhos fortes de batidas na parede, mas achou que o som era de outro apartamento. A tia-avó relatou que logo depois o menino parou de chorar.

Ainda de acordo com a tia-avó, cerca de 10 a 15 minutos depois, ela ouviu o barulho de vidros estilhaçando, foi até a cozinha e encontrou o menino no chão, coberto com uma toalha de mesa, em meio a uma poça de vômito. A mãe estava ao seu lado. Ela perguntou para a mãe o que tinha acontecido com Gael, mas a mulher, que parecia estar em estado de choque, não disse uma única palavra.

A tia-avó pegou a criança no colo e o levou até o quarto do garoto. Ela trocou a roupa dele e a fralda, que estava suja de fezes, e pediu que a irmã acionasse o resgate. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionadas para uma ocorrência de parada cardíaca de criança. 

Os médicos entraram pela porta lateral do apartamento, que dá acesso à cozinha, onde encontraram a mãe. A mulher estava sentada em uma cadeira no canto do cômodo, com a cabeça baixa. A irmã conduziu os médicos até o quarto de Gael, que estava com a tia-avó, deitado num colchão no chão.

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