São Paulo Médico se retrata após inventar ter salvo criança com cirurgia em SP

Médico se retrata após inventar ter salvo criança com cirurgia em SP

Bruno Ceranto publicou história falsa sobre operação e simulou letra infantil. Residente é processado por importunação sexual

  • São Paulo | Do R7

Médico cria história falsa de que salvou garoto de apendicite nas redes sociais

Médico cria história falsa de que salvou garoto de apendicite nas redes sociais

Reprodução Redes Sociais

O médico do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, Bruno Ceranto, teve que se retratar após ter publicado em suas redes sociais uma história falsa. Bruno afirmou que teria feito uma cirurgia bem sucedida envolvendo uma criança para se promover. 

O médico, que apagou as publicações quando a história ganhou destaque na mídia, relatava que salvou a vida de um menino depois de uma complexa cirurgia de apendicite e que se não fosse por ele "o desfecho poderia ter sido outro". A publicação foi curtida, elogiada e amplamente compartilhada nas redes sociais.

O médico escreveu  ainda que atendeu a criança em um plantão hospitalar há três meses com uma intensa dor abdominal. A postagem dizia que o menino havia passado cinco dias com dor, febre e em busca de atendimento. Tempos depois, Ceranto teria sido surpreendido com uma carta escrita pela criança.

"Meu coração deu um suspiro profundo, uma lágrima escorreu pelo rosto, um sorriso bobo me dominou", escreveu o médico na publicação que foi apagada. O médico finaliza a postagem com as hastags "#filantropia" e "#medicinasemstatus". O médico também teria simulado a caligrafia infantil para dar credibilidade à história.

A mãe e as crianças não conheciam o médico, somente se encontraram uma vez quando ele teria os abordado uma vez em Heliópolis. Na ocasião, o médico teria oferecido presentes em troca de uma foto.

Após o conhecimento da família das crianças, o médico voltou às redes sociais para se manifestar sobre a publicação. "Venho através deste meio expressar meu profundo arrependimento pelo ato impensado contra as crianças. Tal ato foi feito em um momento dificil e instável emocionalmente de minha vida. Todos somos humanos e erramos. O devido fato já foi resolvido frente a família, a qual ofereci todo o meu suporte e apoio para todas as compensações que lhes são de direito".

Questionada pela reportagem, a a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), informou que o médico é integrante do Programa de Residência Médica, sem vínculo funcional, com a carga horária de 60 horas semanais.

A prefeitura também negou qualquer atendimento para o menino citado por ele nas publicações. "Informamos que nada consta nos registros do HSPM para atendimentos no nome da criança citada por ele.", informou a nota.

Importunação sexual

O médico responde também a um processo por importunação sexual a uma médica dentro do hospital. Segundo o documento, Ceranto tentou entrar em um banheiro feminino localizado no 5º andar do Hospital do Servidor Público Municipal com um celular para fotografar uma colega grávida. O aparelho foi apreendido por determinação do Tribunal de Justiça para a realização da perícia.

Em relação ao processo, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que foi instaurado um procedimento de apuração preliminar e o processo está suspenso, aguardando conclusão de inquérito policial para prosseguimento. O documento, segundo a pasta, não foi arquivado.

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