São Paulo Ministério Público de SP abre investigação contra Adrilles Jorge após suposta saudação nazista

Ministério Público de SP abre investigação contra Adrilles Jorge após suposta saudação nazista

Comentarista falava de polêmica que envolveu Monark, também alvo de inquérito do MP por defender partido nazista

  • São Paulo | Do R7

Adrilles Jorge rechaçou que gesto tenha tido conotação nazista

Adrilles Jorge rechaçou que gesto tenha tido conotação nazista

Redes sociais/Reprodução

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) abriu uma investigação contra o comentarista da Jovem Pan Adrilles Jorge, que teria realizado uma saudação nazista ao final de um programa da emissora nesta terça-feira (8). Alvo do inquérito, o comentarista rechaçou em suas redes sociais que o gesto tinha conotação nazista.

No programa, Adrilles comentava a polêmica que envolveu o youtuber youtuber Bruno Aiub, o Monark, ex-apresentador do Flow Podcast. Durante uma entrevista, ele sugeriu que o Brasil poderia ter um partido nazista legalizado. O comentário levou ao seu desligamento do podcast e Monark também se tornou alvo de investigação do MP.

Ao encerrar a fala, o Adrilles faz um gesto similar ao "Sieg Heil", uma saudação nazista que, em alemão, significa “viva a vitória”. “Até sempre, tchau”, completou. O gesto causou reação imediata do apresentador e colega de bancada William Travassos, que comenta: “Surreal, Adrilles”. O comentarista ri ao notar o constrangimento do colega, e a transmissão é encerrada em seguida.

Adrilles foi demitido nesta quarta-feira (9) da Jovem Pan, que alegou ser contra a perseguição a qualquer grupo por questões étnicas, religiosas, raciais ou sexuais. Em suas redes sociais, o comentarista rechaçou que o gesto teve conotação nazista.

"Fui demitido da Jovem Pan. Por dar um tchau deturpado por canceladores. Infelizmente a pressão de uma turba canceladora e sua sanha de sangue surtiram efeito", escreveu Adrilles. "Agradeço a jovem pan pela oportunidade e a todos os amigos q lá conquistei e que em mim confiam e apoiam." 

Caso Monark

As polêmicas que envolvem ideais nazistas vieram à tona após declarações de Monark, que em discussão sobre a liberdade de expressão defendeu a possibilidade da  existência de um partido nazista no Brasil. O posicionamento aconteceu durante a gravação do podcast Flow, na segunda-feira (7), com os deputados federais Kim Kataguiri (DEM-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP).

"A esquerda radical tem muito mais espaço que a direita radical, na minha opinião. As duas tinham que ter espaço, na minha opinião. [...] Eu acho que o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido pela lei", disse durante a entrevista. Ele pediu desculpa após o comentário e foi desligado do programa.

Ao ouvir a fala de Monark, Tabata Amaral afirmou que o nazismo é um risco, especialmente para a comunidade judaica. "Liberdade de expressão termina onde a sua expressão coloca em risco a vida do outro. O nazismo é contra a população judaica, e isso coloca uma população inteira em risco", afirmou a parlamentar.

Ela ainda questionou Kim Kataguiri se ele considera ser "errado a Alemanha ter criminalizado o nazismo", ao que o deputado respondeu afirmativamente. O MPF (Ministério Público Federal) abriu investigação contra o parlamentar e o youtuber por suposta apologia do nazismo.

Kim Kataguiri gravou um vídeo sobre as acusações e disse que apenas defendeu a liberdade de expressão irrestrita como uma estratégia de combate ao movimento. Algumas horas depois, o parlamentar gravou outro vídeo para pedir desculpas à comunidade judaica. 

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