Morre Sombra, acusado de ser o mandante do assassinato de Celso Daniel

Celso Daniel, então prefeito de Santo André, foi sequestrado e assassinado em janeiro de 2002

Celso Daniel (esquerda) foi morto em janeiro de 2002. Sombra (direita) estava com ele quando foi sequestrado

Celso Daniel (esquerda) foi morto em janeiro de 2002. Sombra (direita) estava com ele quando foi sequestrado

Eto Barata/Estadão Conteúdo; Itamar Miranda/Estadão Conteúdo/1997

O empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, morreu por volta das 6h30 desta terça-feira (27). Sombra estava internado desde o dia 22 de Setembro, segundo a assessoria de imprensa do Hospital Montemagno, na zona leste. Segundo o hospital, não há autorização da família para divulgar a causa da morte.

Sombra lutava contra um câncer há alguns anos. Seu advogado, o criminalista Roberto Podval, confirmou a informação sobre a morte.

Sombra nunca admitiu envolvimento na morte brutal do prefeito, de quem era amigo e foi assessor.

Em novembro de 2015, Sombra foi condenado a 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão, em regime fechado, acusado de liderar esquema de cobrança de propinas de empresas de transporte contratadas pela Prefeitura na gestão do petista.

Sombra nunca foi levado a júri popular pela morte de Celso Daniel. O Supremo Tribunal Federal anulou a ação contra ele porque o juiz do caso, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, não permitiu que as defesas dos outros acusados fizessem perguntas na fase dos interrogatórios.

Sombra ficou sete meses preso em caráter preventivo — no processo sobre a morte de Celso Daniel —, até que o Supremo lhe devolveu a liberdade.

Outros seis acusados do crime foram condenados pelo júri popular de Itapecerica da Serra. Eles confessaram o assassinato do petista. Paralelamente às investigações sobre a execução de Celso Daniel, o Ministério Público promoveu uma devassa na administração do petista.

Surgiram as primeiras revelações sobre o esquema de corrupção instalado em secretarias municipais de Santo André.

A Promotoria afirma que Sombra planejou o assassinato quando Celso Daniel decidiu dar um fim na rede de propinas — o petista teria tomado essa iniciativa ao ser informado que recursos desviados dos cofres públicos eram destinados ao caixa do PT.

Um irmão de Celso Daniel, o oftalmologista João Francisco Daniel apontou o suposto envolvimento do ex-ministro José Dirceu na arrecadação de valores ilícitos para abastecer o partido — então presidido pelo próprio Dirceu.

O advogado Roberto Podval disse que esteve com Sombra há cerca de trinta dias.

— O Sérgio estava feliz, apesar da doença, porque o Supremo anulou a ação contra ele. Uma coisa que o afligia muito era essa acusação de ter sido o mandante da morte do Celso Daniel. Ele nunca admitiu isso porque, de fato, não teve envolvimento no crime. Lembro-me bem daquela frase dele. 'Podval vou morrer inocente'. Ele estava feliz.

A morte do prefeito

Sombra dirigia o carro em que estava Celso Daniel, na época prefeito de Santo André, quando este foi sequestrado e posteriormente assassinado, em janeiro de 2002. Até hoje, não se sabe como os bandidos conseguiram abrir a porta do veículo. Dois dias depois do sequestro, ele foi encontrado morto em Juquitiba.

Promotores defendem a tese de que o crime foi político: teria sido cometido para encobrir um suposto esquema de cobrança de propina na cidade, que serviria para engrossar o caixa dois de campanhas do PT. Acusado de ser o mandante do crime, Sombra é o único citado no caso que ainda não tinha sido julgado. Até o início deste ano, o julgamento dele ainda não tinha data definida. 

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Ex-segurança de Celso Daniel, Sombra era considerado amigo do prefeito e era suspeito de ser um dos coletores da propina junto a empresas de transportes da cidade.