Mortes de ciclista aumentam 69% no primeiro semestre em SP

Conforme dados do Infosiga SP, banco de dados do governo de São Paulo, número de ciclistas mortos no trânsito paulistano saltou de 13 para 22

Mortes de ciclistas aumentaram no primeiro semestre

Mortes de ciclistas aumentaram no primeiro semestre

Reprodução/RecordTV

Entre janeiro e junho deste ano o trânsito da cidade de São Paulo teve 22 mortes de ciclistas, número 69,2% superior que o mesmo período do ano passado, quando houve 13 óbitos. Os dados foram disponibilizados pela Infosiga SP, ferramenta de banco de dados da Secretaria de Governo do Estado de São Paulo.

Conforme as estatísticas, o mês mais letal do ano para os ciclistas foi janeiro, com oito casos. Considerando os dias da semana, sábado é o pior: cinco mortes. Os dados ainda apontam que 10 casos (45%) acontecerem entre 18h e 24h. 

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Sobre o perfil das vítimas, o Infosiga SP aponta que 95,5% dos ciclistas mortos na capital eram homens e 45% tinham idade entre 40 e 49 anos. Seis morreram em acidente com carro e outros seis se envolveram em acidente com ônibus.

Para a cicloativista Aline Cavalcante, diretora de participação da Ciclocidade (Associação de Ciclista de São Paulo), a alta nos números de óbitor de ciclista representa uma “quebra na tendência de queda” que vinha acontecendo nos últimos anos.

Segundo Aline, o aumento de morte de ciclistas na capital paulista acontece por causa da falta de políticas públicas, falta de fiscalização e o aumento da velocidade dos carros.

A cicloativista vê alguns indicativos de melhora na questão, no entanto, destaca que ainda precisa de mais. “A gente tem alguns sinais de que as coisas podem começar a mudar, mas neste momento, não temos nada concreto de melhoria, por isso que as mortes estão aumentando”, afirma.

Procurada pela reportagem, a SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte) disse que “analisa os registros de acidentes na cidade para definir medidas que reduzam as ocorrências graves e mortes no trânsito”.

A pasta afirma que a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) revitalizou a pintura e a sinalização de 10,3 km de ciclovias, e diz ainda que 63,3 km de vias passaram por obras de recapeamente no intuito de melhorar a infraestrutura para os ciclistas.

A SMT diz ainda que o Plano Cicloviário prevê mais de 170 km de novos ciclovias e ciclofaixas, além de melhorar 310 km das que já existem, destinando um investimento de R$ 325,7 milhões em 2019 e 2020.

“Recentemente foi lançado também o plano de Segurança Viária 2019-2028 e estão previstos investimentos de R$ 35 milhões para intervenções de segurança viária dentre as estratégias de atuação prioritárias do novo plano em 2019”, disse a secretaria.

A diretora da Ciclocidade diz que “o plano muito fraco perto do que a cidade precisa, fica muito aquém do tamanho do problema que merece intervenção imediata”.

Aline acredita no conceito internacional denominado como “visão zero” para trabalhar na diminuição de mortes no trânsito. “É um conceito muito robusto, de que nenhuma morte no trânsito é aceitável", explica.

A cicloativista afirma que o “visão zero” parte do princípio que todos seres humanos são factíveis a erros. Mas na hora do erro, tem que existir a garantia de que não vai pagar com a vida de ninguém. “Na hora de um erro, seja do ciclista, pedestre, motociclista ou do motorista, pode acontecer de lesionar, ter problemas físicos, mas garantir que não morre.”

A SMT diz que “investe em políticas de conscientização, valorização da vida e prevenção de acidentes no trânsito, como o Programa Vida Segura, que adota o conceito de Visão Zero, cuja premissa é que nenhuma morte é aceitável no trânsito”.