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Mulher desfigurada: polícia conclui que Geralda se matou e diz que perícia teve erros graves 

Conduta dos peritos foi tachada como parcial, tendenciosa e retrógrada

São Paulo|Lumi Zúnica, especial para R7

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Para a polícia, peritos agiram de maneira parcial e tendenciosa
Para a polícia, peritos agiram de maneira parcial e tendenciosa

A Polícia Civil de São Paulo encerrou as investigações sobre a morte de Geralda Guabiraba, encontrada sem a pele do rosto e sem os olhos em janeiro de 2012 em Mairiporã, na Grande São Paulo. A conclusão do caso, que ficou conhecido como “Pedra da Macumba”, é de que Geralda cometeu suicídio.

O inquérito aponta para um festival de erros e eventuais irregularidades — inclusive criminais — cometidas por peritos e legistas que teriam induzido os investigadores a acreditarem que se tratava de um homicídio.


Três delegados presidiram o inquérito, e o último, Rui Karan, não quis se pronunciar sobre o caso por estar sob segredo de Justiça. Mas fontes que tiveram acesso a informações entregues à Justiça descrevem o caso como “uma aula sobre o que não deve ser feito numa perícia”.

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O relatório sugere que sejam apuradas “irregularidades funcionais e até mesmo criminais, de todos os profissionais envolvidos, principalmente no que diz respeito aos peritos e médicos legistas responsáveis pela confecção dos laudos” argumentando que agiram com parcialidade e de forma tendenciosa e corporativista. O intuito de tal comportamento seria eximir responsabilidades pela má execução dos trabalhos realizados.


Erros

Uma longa lista de erros é apontada pela polícia em relação às perícias realizadas durante a investigação. O primeiro é sobre o laudo do local. Policiais militares alertaram a delegada de Mairiporã que objetos encontrados no automóvel de Geralda não tinham sido apreendidos pelo perito. Um copo de alumínio, uma garrafa plástica de água já vazia, três recipientes de vidro contendo uma pasta branca e óleo vegetal usado em batismos e crismas foram apreendidos pelos policiais quando o carro já tinha sido recolhido ao pátio.


Outra deficiência apontada é que não se procurou por vestígios de animais que poderiam ter ingerido partes do cadáver contaminadas com veneno, nem se recolheram objetos que estavam próximos ao corpo.

A demora na entrega do laudo do local também contribuiu para gerar especulações. O documento levou alguns meses para ser apresentado à polícia e isto só aconteceu após ordem judicial solicitada pela então delegada de Mairiporã.

Apesar do tempo que levou para ser entregue, o laudo apresentava muitas lacunas. Foi solicitado ao perito, então, que respondesse a uma série de perguntas. Segundo a polícia, elas foram atendidas com “deboche” e “total falta de responsabilidade”, levando o delegado a concluir que houve uma tentativa de induzir a ratificar o primeiro laudo em detrimento da verdade e “eximir eventual responsabilidade pela má feitura da perícia”.

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