Muro de vidro da USP completa um ano com falhas na instalação

Em 2018, a polícia abriu um inquérito para investigar os atos de vandalismo, mas um laudo mostrou que o problema é ocasionado por um erro no projeto 

Mais de 14 placas já quebraram desde a inauguração

Mais de 14 placas já quebraram desde a inauguração

Eliane Neves / Estadão Conteúdo / 12.06.2018

O muro de vidro da USP completa, nesta quinta-feira (4), um ano. Cerca de 15 placas já quebraram desde a inauguração e a causa não é o vandalismo.

Em abril de 2018, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar os atos de vandalismo, que seriam, em primeira hipótese, a causa dos problemas.

Porém, um laudo preliminar, divulgado em outubro, mostrou que o problema é ocasionado por um erro no projeto de instalação, armazenamento e transporte dos materiais.

As investigações, conduzidas pela superintendência da polícia técnico-científica, foram concluídas e estão sendo analisadas.

Em entrevista à Record TV, o professor de Arquitetura e Urbanismo Carlos Sant’anna afirmou que faltou im estudo mais aprofundado das condições do local e que, por isso, o projeto apresenta problemas.

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Com a instalação dos vidros, a intenção da prefeitura de São Paulo, era integrar a universidade à vida da cidade. Além de modernizar a área, as placas permitem a visualização das raias olímpicas da USP (Universidade de São Paulo) e diminuem o ruído dos veículos que circulam na marginal Pinheiros.

O projeto foi feito em parceria com 52 empresas privadas e custou mais de R$ 15 milhões — cada painel é avaliado em cerca de R$ 4 mil. De acordo com a universidade, foram construídos 3 km do muro.

Atualmente, 14 placas que compõe a estrutura estão quebradas. As obras estão paralisadas desde o final de dezembro e não existe um prazo para a conclusão do projeto. 

A SMSU (Secretaria Municipal de Segurança Urbana) informou, por meio de nota, que a SIRB (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras) mantém contato permanente a respeito do muro de vidro da raia olímpica com a USP (Universidade de São Paulo), que não foi concluído após um ano de inauguração no dia 4 abril de 2018 e que, caso a instituição não consiga concluir as obras e reparos, a administração municipal está à disposição para concluí-la.

Ainda segundo a Prefeitura, após a Defesa Civil realizar uma vistoria no local, quatro pontos de deslizamentos nas margens foram verificados, mas não necessitaram de interdição. A Defesa Civil continuará monitorando o local.

Leia a nota na íntegra:

A Prefeitura de São Paulo esclarece que a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIRB) têm mantido conversas permanentes com a Universidade de São Paulo (USP) sobre as obras do muro de vidro. A administração municipal está à disposição para concluir as obras com recursos públicos caso a Universidade não consiga parceiros para execução dos reparos. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana doou 84 câmeras à USP, que realizou a instalação, já estão em funcionamento e sendo visualizadas pela segurança universitária. Elas estão em fase final para incorporação ao programa City Câmeras, que já conta com 2.498 equipamentos. Mais informações sobre o programa estão disponíveis no site: www.citycameras.prefeitura.sp.gov.br

A Defesa Civil realizou uma vistoria na raia olímpica da USP. Foram verificados quatro pontos de deslizamentos nas margens que, nas atuais condições, não necessitam interdição. A Defesa Civil continuará monitorando o local.