Nas periferias de SP, empresários se adaptam para superar quarentena
Durante a quarentena, lanchonete da zona leste de SP vive queda abismal no rendimento, enquanto entregas de churrasco na zona sul multiplica os lucros
São Paulo|Kaique Dalapola, do R7

A cidade de São Paulo segue em quarentena até, pelo menos, o próximo dia 15 de junho como forma de tentar impedir a propagação desenfreada do novo coronavírus. Essas medidas, no entanto, impactaram diretamente na vida dos empreendedores, micro e pequenos empresários que estão, sobretudo, nas periferias.
Enquanto uma parcela dos negócios em São Paulo não conseguiram se adaptar às novas condições impostas por causa da pandemia, outros se adaptaram e chegaram a progredir os rendimentos em meio à crise.
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De acordo com estudo do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), apenas 9,9% dos negócios no Estado mantiveram a normalidade do funcionamento.
Um desses casos é a lanchonete de Karina de Andrade Ramos, de 29 anos, que segue abrindo e tentando atender aos clientes na entrada da Favela da Ilha, na região do Parque Santa Madalena, extremo leste de São Paulo.
Mesmo com as promoções e divulgação nas redes sociais, Karina afirma que não faz entregas dos lanches. Por isso, desde o início da quarentena, a movimentação do negócio tem caído. Segundo a empreendedora, durante a quarentena, seus rendimentos caíram para “bem menos da metade” em comparação ao período antes da chegada do novo coronavírus.
“Está bem difícil, mal dá para comprar as mercadorias para repor. E a cada dia a situação piora, não melhorou em nada nesse tempo de pandemia. Mas tenho que continuar tentando, porque a única alternativa para todos nós é tentar, e nós mesmos fazer que cada dia seja melhor”, diz Karina.
Do outro lado da cidade, na região do Grajaú (zona sul), o empreendedor Júlio Costa, de 22 anos, vê seu negócio aumentando as vendas a cada dia. Em fevereiro deste ano, pouco antes da pandemia, ele decidiu realizar o sonho de empreender.
“Desde adolescente eu tinha a vontade de ter meu próprio negócio do ramo alimentício. Agora, com as várias plataformas de entrega de comida, resolvi fazer um teste para pegar experiência. Fiz uma pesquisa na região onde moro, se já existia algum lugar que entregasse churrasco, porque é uma das comidas que mais gosto, e não encontrei”.
Surgiu, então, a ideia de iniciar a Flash Espetos. Preparando variados tipos de churrasco da própria casa, Júlio começou atuar com o serviço delivery. Mesmo antes da quarentena, o negócio começou a ganhar conhecimento na região.
Cerca de um mês depois do início do negócio, São Paulo explodiu no número de casos e mortes pela covid-19 e, como medida para conter esse avanço da doença, o governo de São Paulo decretou a quarentena e fechamentos dos serviços não essenciais. O delivery de comida, no entanto, seguia.
O trabalho foi aumentando ao longo dos dias e Júlio envolveu toda família na atividade. Esposa, pais e irmãs atuam na preparação dos alimentos, enquanto ele fica responsável por levar até os clientes, além de fazer as compras durante os dias que tem folga em seu outro trabalho, como técnico de manutenção no McDonald’s.
No início, o Flash Espetos recebia no máximo 20 pedidos diários. Com o avançar da quarentena, as entregas subiram para cerca de 50 espetos diariamente de segunda-feira a quinta-feira, e em média 80 por dia entre sexta-feira e domingo.
Como Júlio é o responsável por realizar as entregas, ele afirma que fica “um pouco com medo” de ser contaminado pelo novo coronavírus, mesmo tomando os cuidados de proteção. No entanto, o principal temor dele é quando precisa ir ao supermercado cheios.
Pesquisa sobre os negócios

O Sebrae-SP entrevistou 3.118 empreendedores, micro e pequenos empresários no Estado de São Paulo para saber como estão os negócios no tempo de quarentena como forma de impedir o avanço do novo coronavírus.
De acordo com a pesquisa, 44,6% dos negócios sofreram interrupção temporária das atividades. Outros 42,3% precisaram mudar o funcionamento. O mesmo questionamento, sobre o impacto, os 3,3% disseram que fecharam de vez, além dos 9,9% que mantiveram a mesma forma de funcionar.
Segundo o Sebrae-SP, 45,9% dos negócios paulistas não conseguem funcionar durante a quarentena por ser serviço essencial e ter as atividades desenvolvidas apenas presencialmente. Com isso, 8,9% dos MEIs (Microempreendedores Individuais), EPPs (Empresas de Pequeno Porte) e ME (Micro Empresas) registraram queda.
A pesquisa ainda aponta que 26% dos negócios passaram a fazer vendas por meio das redes sociais, e 11% começaram a gerencias as contas do banco via aplicativo digitais. O Sebrae-SP também aponta que 9% dos negócios tiveram o início da interação online com os clientes.
Em 8% dos negócios, os funcionários passaram a trabalhar em home office. A suspensão do trabalho aconteceu em 29,2% dos negócios pesquisados e 26,7% deu férias coletiva.
Das pessoas ouvidas na pesquisa do Sebrae-SP, 54,9% são MEIs, além de 38,5% ME, e outras 6,6% EPP.














