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Névoa e cheiro de queimado em SP estão relacionados a incêndios e poluição, dizem especialistas

Até o momento, meteorologistas não associam desmatamento na Amazônia a nevoeiro que atingiu a capital paulista nesta manhã

São Paulo|Joyce Ribeiro, do R7

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Névoa cobriu o céu da capital paulista no início da manhã, e havia um forte cheiro de queimado
Névoa cobriu o céu da capital paulista no início da manhã, e havia um forte cheiro de queimado

Especialistas ouvidos pelo R7 descartam a relação entre a névoa e o cheiro de queimado percebidos na manhã desta sexta-feira (9) na capital paulista com o desmatamento na Amazônia. Eles acreditam que incêndios em áreas mais próximas ao estado possam ter originado o nevoeiro e o odor. Outro fator de impacto é a poluição na cidade, aliada ao tempo seco.

"O fluxo de ventos da Amazônia transportando fumaça, segundo o satélite, mostra que o sinal de queimadas da Amazônia está bem fraco em São Paulo e bem mais intenso no Paraná. É possível que a névoa seja de incêndios mais próximos, como em Cuiabá, Minas Gerais e Distrito Federal", explica a meteorologista da Climatempo, Maria Clara Sassaki.


Para o engenheiro do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo) Hassan Barakat, está descartada a relação com as queimadas da Amazônia.

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"A causa da névoa não foi identificada, mas, provavelmente, é de uma queimada nas proximidades da cidade de São Paulo. Agora, a umidade relativa do ar está em 39% e a temperatura, em 29ºC, tempo seco. Tivemos chuva recente, o que lava a atmosfera. Teria que ter um vento de superfície forte para carregar a névoa da Amazônia para o Sudeste", destaca.


Mas uma frente fria sobre o Sul do Brasil pode trazer essa fumaça das queimadas no Norte do país para São Paulo.

"Há um alerta. Antes da chegada da frente fria, aumenta a quantidade de poluentes no ar. Mas, quando chove, melhora a qualidade do ar. No sábado (10), já há um alívio e, no domingo (11), já não se sente tanto a poluição, porque a frente fria ajuda a transportar a umidade", pontua Maria Clara Sassaki.


O ar seco é prejudicial à saúde porque pode agravar doenças respiratórias, como asma e bronquite. Com o aumento da amplitude térmica, sem chuva, a poluição de carros, indústrias e queimadas são mais sentidas, pois essa combinação aumenta a concentração de material particulado inalável.

A fumaça da queimada na Amazônia pode ser mais sentida no Paraná
A fumaça da queimada na Amazônia pode ser mais sentida no Paraná

Névoa em São Paulo

Moradores da capital sentiram um estranho cheiro de fumaça em alguns bairros na manhã desta sexta. Nas redes sociais, internautas reclamaram de um odor semelhante a algo queimado, mas não sabiam dizer exatamente de onde vinha, já que não há indícios de fogo alto pela cidade.


"Pensando que só eu que tava sentindo esse cheiro de queimado mas pelo visto é São Paulo inteiro", escreveu um morador nas redes sociais. "Vocês também estão sentindo um cheiro de queimado no ar?", questionou outro.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) informou, por meio de nota, que, às 10h, três estações de monitoramento na região metropolitana indicavam qualidade do ar ruim, sendo elas a do Parque D. Pedro II, a da marginal Tietê e a da ponte dos Remédios. A medição apontou o material particulado como o principal poluente determinante para a má qualidade do ar.

A empresa também destacou que as três estações estão próximas a vias de tráfego intenso.

"Quanto ao eventual transporte da pluma de poluição vindo da Amazônia e dos focos de queimadas no Centro-Oeste, isso geralmente ocorre em altitudes elevadas da atmosfera. Entretanto, dependendo das condições atmosféricas, parte da pluma pode atingir altitudes mais baixas, podendo ter influência nos níveis de poluição local", enfatizou a Cetesb.

Ainda assim, segundo a companhia, não é possível diferenciar o impacto dessa pluma das fontes de emissão usuais da cidade, como veículos e indústrias.

"Os níveis de poluição observados na cidade não destoam significativamente dos encontrados na época do inverno, em condições meteorológicas similares", concluiu a Cetesb.

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