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Nossos filhos são apenas números para o governo, diz mãe que virou ativista após filha desaparecer

Ivanise Esperidião da Silva ajudou a fundar a Mães da Sé em 1996. E ainda procura Fabiana

São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

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Ao longo de mais de 19 anos de funcionamento, ONG cadastrou quase dez mil casos e ajudou a localizar 4.233 pessoas
Ao longo de mais de 19 anos de funcionamento, ONG cadastrou quase dez mil casos e ajudou a localizar 4.233 pessoas

Ivanise Esperidião da Silva ajudou a fundar a ONG (Organização Não Governamental) Mães da Sé, três meses após a filha Fabiana sumir sem deixar vestígios. Ela está à frente da entidade, que abriu as portas em 31 de março de 1996. Na avaliação de Ivanise, o Estado falha ao não criar políticas públicas de amparo às famílias dos desaparecidos.

— Quando a gente perde um filho [por desaparecimento], consequentemente, temos uma série de perdas. A mãe que trabalha, por exemplo, acaba perdendo o emprego. O foco dela passa a ser a localização do filho desaparecido. Então, ela começa a faltar ao trabalho e é mandada embora. Ao invés de um, passa a ter dois problemas: a falta do filho e, muitas vezes, a falta de comida em casa.


Para a presidente da Mães da Sé, é preciso oferecer apoio psicológico e social àqueles que vivenciam o problema.

— Nós damos esse suporte [na ONG]. Temos pessoas que são solidárias à nossa causa e que fazem trabalho de apoio psicológico. O poder público tem que fazer muito mais. Até hoje, na minha opinião, tem sido omisso, negligente. Nossos filhos são apenas números. São um número quando desaparecem. São um número quando encontrados como morto sem identificação. São um número quando são sepultados como indigente e se transforma, em um número também na vala em que são enterrados. É só isso que nossos filhos significam para o Estado.


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Ela desabafa.

— Promessas não vão trazer minha filha de volta. Eu tenho pressa. Espero por uma resposta há quase duas décadas. Em dezembro, faz 20 anos que minha filha desapareceu. Você sabe que o Estado pode emitir a certidão de óbito dela? A partir de cinco anos, a pessoa já pode ser dada como morta. Com 20 anos, ela não existe mais .


Ao longo de mais de 19 anos de funcionamento, a ONG Mães da Sé cadastrou quase dez mil casos e ajudou a localizar 4.233 pessoas.

— Estamos morrendo e queremos os nossos filhos. Eu nunca vou me acostumar a viver sem filha.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que o “Projeto Caminho de Volta possibilitou a disponibilização de psicólogas e de técnicos que trabalham não só na elaboração do banco de dados de DNA, mas no apoio às famílias vitimadas pelo desaparecimento de suas crianças e adolescentes.

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