São Paulo Novo Delegado Geral da Polícia é descrito como cortês e diplomata

Novo Delegado Geral da Polícia é descrito como cortês e diplomata

Sucateamento da classe e tentativa de investimento similar ao da Polícia Militar são alguns dos desafios que Paulo Bicudo irá enfrentar

Paulo Bicudo é novo delegado geral da Polícia Civil

Nomeado por governador, Paulo Bicudo assume Delegacia Geral da Polícia Civil

Nomeado por governador, Paulo Bicudo assume Delegacia Geral da Polícia Civil

Divulgação SSP

Cavalheirismo e diplomacia definiram a nomeação de Paulo Afonso Bicudo como o novo delegado geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Profissionais da área de segurança ouvidos pela reportagem apontam Bicudo como cortês e inteligente.

Escolhido pelo governador Márcio França (PSB), Bicudo exerceu a chefia de diversas unidades policiais no interior do Estado. Seu último cargo era o comando do Deinter (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior) 9, em Piracicaba – que abrange 52 municípios.

Bicudo, que é amigo do governador, foi nomeado após o órgão passar três meses no comando do interino Júlio Guebert. “A interinidade prejudica qualquer instituição, uma vez que não se tem equipe, não tem planejamento. E isso fez com que a polícia passe a ser refém de acordos políticos altamente nocivos para o órgão”, disse ao R7 Gustavo Mesquita Galvão Bueno, presidente da Adpesp (Associação de Delegados da Polícia do Estado de São Paulo). “Esperamos que Bicudo demonstre compromisso institucional, no sentido de não permitir que a Polícia Civil tenha reflexos e intervenções políticas.”

A nomeação de Bicudo ocorre em meio ao sucateamento da Polícia Civil: baixos salários, vagas abertas mas sem reposição e condições de trabalho inadequadas. “Espero que ele se lembre de todos os desafios. Espero que ele se lembre da luta”, relata Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo).

Raquel recorda que Bicudo foi presidente da associação, a qual hoje é comandada por Gustavo. “Ele sabe como funciona, então imagino que ele vai nos ouvir, vai procurar ter um diálogo com a classe”.

Bicudo formou-se em direito pela PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e ingressou na polícia em 1976. Cerca de 16 anos depois, foi nomeado delegado seccional em Jundiaí. Após, comandou o Deinter 1 e 2 (São José dos Campos e Campinas, respectivamente).

Em setembro de 2007, assumiu a delegacia geral como adjunto, onde permaneceu até março de 2009. Três anos após, chefiou a Acadepol (Academia de Polícia Civil). Em 2013, tornou-se diretor do Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo).

Com tantos cargos de chefia, Bicudo chega ao novo escritório com outro desafio: igualar a Civil com a Polícia Militar. Tradicionalmente, o Palácio dos Bandeirantes dá mais benefícios para esta última em detrimento da primeira. Na prática, segundo Raquel, “quem perde é a sociedade”. “A partir do momento em que ambas as polícias receberem o mesmo investimento, a sociedade vai sentir muito mais segura”, disse.

Gustavo concorda: “não é por acaso que São Paulo viu nascer e crescer a maior organização criminosa do país. O crime somente é combatido com investigação, que é o trabalho da Civil”. O presidente da associação pede que haja reposição de vagas. “Claro que é preciso aumentar o efetivo, mas já ajuda apenas repondo as vagas em aberto.”

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