São Paulo Polícia abre inquérito para investigar causa de desabamento em Itapecerica da Serra

Polícia abre inquérito para investigar causa de desabamento em Itapecerica da Serra

Especialistas afirmaram que possível causa seria um sobrepeso na laje, que seria irregular e não estaria na planta original

Agência Estado
Desabamento deixou ao menos nove mortos e 31 feridos

Desabamento deixou ao menos nove mortos e 31 feridos

Divulgação/ Bombeiros de SP

A Polícia de São Paulo abriu um inquérito para investigar as causas e os responsáveis pelo desabamento em um galpão da empresa Multiteiner na manhã de terça-feira (20), que deixou ao menos nove mortos e 31 feridos em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo.

O caso envolveu a queda da laje de um mezanino durante uma reunião com dois candidatos a deputado de uma mesma coligação, cuja regularidade está em apuração pelo MPE (Ministério Público Eleitoral).

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, "todas as circunstâncias para a elucidação dos fatos" estão em investigação.

Na terça-feira, especialistas que visitaram o local falaram a jornalistas que uma das possíveis causas poderia ser um sobrepeso na laje, que seria irregular e não estaria na planta original. A informação ainda não foi oficialmente confirmada pelas autoridades envolvidas e pelo Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) confirmaram a informação oficialmente.

"Foram solicitados exames junto ao IC (Instituto de Criminalística) e IML (Instituto Médico Legal). Testemunhas serão ouvidas e imagens do local estão sendo analisadas pela equipe da unidade para auxiliar nas investigações", destacou a SSP em nota.

O local está interditado pela Defesa Civil e por auditores fiscais do trabalho. Procurado, o MPT (Ministério Público do Trabalho) informou que também "vai apurar todos os fatos envolvendo o acidente de trabalho e as normas de segurança que possam ter sido violadas, e essa investigação levará algum tempo".

Na terça-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região divulgou que acionou o órgão com o pedido de uma fiscalização "com urgência".

Já o Ministério Público Eleitoral irá apurar a regularidade do evento com candidatos que ocorria no momento do desabamento.

Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, é "necessária investigação para saber se o encontro realizado na empresa onde houve o desabamento implicou despesas eleitorais ou constrangimentos ao voto". Cerca de 64 pessoas participavam da reunião, a maioria funcionários.

"As empresas não podem fazer doações para campanhas eleitorais e não podem, de qualquer maneira, constranger ao voto as pessoas que nela trabalham. Isso significa que seus espaços não se destinam à realização de reuniões com muitas pessoas, como são os comícios", ressaltou em nota.

O candidato a deputado estadual Jones Donizette (Solidariedade) divulgou que estava no local no momento do desabamento, para um café da manhã com os funcionários da empresa, acompanhado da candidata a deputada federal Ely Santos (Republicanos), ambos aliados políticos.

Vítimas de desabamento em empresa de Itapecerica (SP) tinham entre 20 e 47 anos

"Quando se despediam dos trabalhadores, parte da estrutura de concreto se rompeu e os deixou presos nos escombros, os dois foram resgatados com vida", informou.

Ex-presidente da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político) e professor na UFPB, Marcelo Weick Pogliese explicou ao Estadão que candidatos podem visitar empresas, mas dentro de algumas circunstâncias. Entre elas, os funcionários não podem ser obrigados a participar da atividade e a empresa deve estar aberta a receber outros candidatos.

"Em regra, está garantida a igualdade de oportunidades", destaca. "Não pode acontecer um direcionamento, uma coação", aponta. Até o momento, não há informações se outros candidatos visitaram ou tinham visita agendada à empresa.

'Nós fomos surpreendidos pelo rompimento da estrutura', diz empresa

Cerca de 12 horas após o desabamento, que ocorreu por volta das 9 horas, a empresa Multiteiner se manifestou pela primeira vez publicamente sobre o caso.

Em um comunicado publicado em rede social, "lamenta profundamente o acidente ocorrido" e diz que "todos os nossos colaboradores encontravam-se reunidos em nosso auditório para o início de mais um dia de trabalho", sem mencionar que a atividade envolvia dois candidatos a deputado.

"Infelizmente, todos nós fomos surpreendidos pelo rompimento da estrutura", alegou. A empresa ainda disse que "todas as medidas estão sendo adotadas para apurar e esclarecer todo o ocorrido" e divulgou um e-mail para contato com familiares das vítimas. Por fim, alegou estar "à disposição das autoridades competentes, com a prestação de todas as informações, no intuito de esclarecer as causas do ocorrido".

O galpão fica na Estrada Ferreira Guedes, 1.134, no bairro Potuverá. A Multiteiner trabalha com comércio e locação de contêineres há mais de 20 anos e é uma das das principais empresas do setor no País, com um histórico de contratos com instituições públicas e o setor privado, incluindo para grandes eventos.

Na terça-feira, a prefeitura de Itapecerica da Serra informou que a licença municipal da empresa ainda não foi emitida, pois o licenciamento ambiental está em andamento junto à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), por envolver uma APRM (Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais).

Já a Cetesb, também em nota, disse que a empresa tinha aprovação para uso do local, mas que o espaço está com um pedido de regularização em processo de avaliação, por ser localizado em Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais Reservatório da Guarapiranga.

Últimas