São Paulo Polícia Civil de São Paulo tem déficit de 15 mil agentes, diz associação

Polícia Civil de São Paulo tem déficit de 15 mil agentes, diz associação

Entidade afirma que houve baixa de 2.193 agentes entre janeiro de 2018 e setembro de 2021, sem nenhuma reposição 

  • São Paulo | Rafael Custódio, da Agência Record

Entidade afirma que houve baixa de 2.193 agentes entre janeiro de 2018 e setembro de 2021

Entidade afirma que houve baixa de 2.193 agentes entre janeiro de 2018 e setembro de 2021

Divulgação/SSP-SP

O Governo do Estado de São Paulo tem déficit de 15 mil policiais civis, de acordo com dados divulgados pela Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo). A entidade afirma que há pelo menos 20 anos as contratações não ocorrem nas mesmas proporções que os desligamentos.

A associação cita a baixa de 2.193 agentes sem nenhuma reposição do efetivo pela gestão do governador João Doria (PSBD-SP) entre janeiro de 2018 e setembro de 2021.

Segundo o presidente da Adpesp, delegado Gustavo Mesquita, a evasão dos policiais civis acontece por causa dos baixos salários, que fazem com que os agentes busquem outras carreiras ou migrem para estados onde a remuneração é melhor, além da sobrecarga de trabalho, que afeta a saúde mental.

"A sobrecarga de trabalho eleva o estresse, e quem fica nessa situação desenvolve problemas psicológicos. Hoje, o número de suicídios é três vezes maior do que as mortes em serviço", destacou o delegado.

Outro dado apontado pela Adpesp é o "envelhecimento" da Polícia Civil, já que 35% do efetivo tem mais de 50 anos. Entre os delegados, 42% já são, pelo menos, cinquentenários. A entidade adverte que as contratações não têm ocorrido na mesma proporção que as aposentadorias.

Em 7 de outubro, o governo de São Paulo anunciou a abertura de 2.750 vagas, das quais 250 para o cargo de delegado, 900 para investigador e 1.600 para escrivão. Outras 189 vagas serão disponibilizadas para a Polícia Técnico-Científica, para o cargo de médico-legista.

As contratações serão feitas mediante concurso público, cuja data do edital ainda não foi divulgada.

Inquéritos sem conclusão


Em uma delegacia da zona leste de São Paulo, cujo gestor pediu anonimato, o efetivo está 50% abaixo do ideal para atender uma população de aproximadamente 360 mil habitantes. A consequência é o acúmulo de 1.380 inquéritos sem conclusão, o mais antigo deles de 2010, segundo apuração da Agência Record.

Os mesmos números se repetem nas delegacias que compõem a região metropolitana de São Paulo, onde uma das delegacias contabiliza cerca de 1.600 casos com investigações em andamento. Funcionários da prefeitura são deslocados para atuar como escrivães, já que não há policiais civis disponíveis para exercer a função.

"Quando a investigação demora para ser concluída é pela falta do um terço do efetivo, que não foi reposto", disse o presidente da Adpesp.

A Agência Record entrou em contato com a SSP (Secretaria da Segurança Pública), que se pronunciou por meio de nota sobre o déficit de policiais civis no estado. O órgão afirma que, "desde 2019, foram contratados mais de 10 mil policiais — 2.259 para a Polícia Civil, 7.729 para a PM e 765 para a Polícia Técnico-Científica". 

Sobre a contratação de novos agentes, a pasta respondeu que "há 81 novos policiais civis e 4.216 policiais militares em formação nas respectivas academias e em breve atuarão em defesa da população paulista".

Acerca dos salários, a SSP informou que investe na valorização e melhoria da carreira policial e "reajustou em 5% o piso salarial dos policiais. Além disso, equiparou o auxílio alimentação dos agentes e ampliou a bonificação por resultados, que passou a ser bimestral".

Veja a nota da SSP na íntegra:

A Secretaria da Segurança Pública investe continuamente na valorização e melhoria da carreira policial e reajustou em 5% o piso salarial dos policiais. Além disso, equiparou o auxílio alimentação dos agentes, ampliou a bonificação por resultados, que passou a ser bimestral. Desde 2019, foram contratados mais de 10 mil policiais  2.259 para a Polícia Civil, 7.729 para a PM e 765 para a Polícia Técnico-Científica. Foi publicada no Diário Oficial de outubro a convocação para que 36 candidatos tomassem posse. Também há 81 novos policiais civis e 4.216 PMs em formação nas respectivas academias e em breve atuarão em defesa da população paulista. O Governo do Estado também autorizou novos concursos para a contratação de mais 8.339 agentes  sendo 2.750 vagas para a Polícia Civil, 5.400 para a Polícia Militar e 189 para a Polícia Técnico-Científica.

A pasta também tem investido fortemente na capacitação dos policiais, na expansão das unidades e na aquisição de armas, viaturas e equipamentos de inteligência policial. As polícias Civil e Militar do Estado de São Paulo hoje contam com armamento de última geração, como pistolas semiautomáticas Glock calibre .40, fuzis .556 e .762, rifles de precisão, carabinas 12, entre outros armamentos, para fazer frente ao crime organizado. Pela primeira vez na história, as forças de segurança têm viaturas blindadas. São 175 em operação entre as polícias Civil e Militar e outras estão em aquisição.

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