São Paulo Polícia faz operação contra trabalho escravo e exploração em SP

Polícia faz operação contra trabalho escravo e exploração em SP

Estrangeiros trocam força de trabalho por quantia em dinheiro e moradia, sem registro e com jornadas das 7h às 20h

  • São Paulo | Edilson Muniz, da Agência Record

Oito trabalhadores bolivianos em situação análoga à escravidão são libertados em SP

Oito trabalhadores bolivianos em situação análoga à escravidão são libertados em SP

Claudemir Castro / Record TV

A Polícia Civil e Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania realizam uma operação em combate à exploração de pessoas na manhã desta sexta-feira (18). A ação tem como objetivo o combate à exploração de pessoas, tanto em relação ao trabalho quanto à exploração sexual.

A investigação começou com uma denúncia que acarretou um trabalho de vigília no local e constatou indícios de trabalhos análogos à escravidão. A ação foi nomeada de Operação Andrapodon, que é um verbete grego ligado ao termo de "pés na terra" e era como os escravos eram chamados.

Um dos endereços inspecionados pelos oficiais é um galpão de confecção de roupas na Rua João Kopke, no bairro do Bom Retiro, centro da capital paulista. No local, foram encontrados oito trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Os oito trabalhadores são de origem estrangeira, entre bolivianos e paraguaios. O grupo trabalha em condições irregulares e insalubres, segundo a polícia em situação análoga à escravidão. O grupo troca a força de trabalho por poucos reais e moradia, trabalhando sem registro começando por volta das 7h e terminando cerca da 20h.

Mesmo com a presença dos oficiais, os trabalhadores não pararam de trabalhar, já que recebem por peça confeccionada. Os valores não ultrapassam os cinco reais por peça. Um dos trabalhadores, de origem boliviana, afirmou que não se sente mal atuando nas péssimas condições: “aqui eu me sinto bem, aqui é sossegado”, disse o trabalhador.

Uma mulher e um homem se apresentaram como responsáveis pelo galpão e serão levados à delegacia para prestarem esclarecimentos e serem responsabilizados judicialmente pelas condições em que o local se encontrava e como os trabalhadores foram localizados.

De acordo com Ruy Ferraz Fontes, diretor geral da Polícia Civil, no local, além dos trabalhadores irregulares, foi encontrado um carro roubado estacionado na garagem, acarretando em crime de receptação. Outros pontos da cidade também são averiguados e com resultados positivos em relação ao encontro de pessoas sendo mantidas em trabalhos análogos à escravidão.

Segundo o diretor, os dois objetivos principais da ação foram atingidos. Além do trabalho contra a escravidão, há o combate à exploração sexual, em que os agentes visitam casas onde são constatadas as condições de exploração. Todas apreensões e partes serão levadas ao 2° DP do Bom Retiro

Em relação aos trabalhadores, o governador João Doria (PSDB) afirmou que eles serão direcionados a um local de abrigo “eles serão acolhidos e alimentados, tendo a oportunidade de ter sua carteira de trabalho e em condições de amparo aos seus direitos”.

O secretário Fernando José da Costa afirmou que a ação desta manhã é a primeira de três etapas. Hoje eles estão realizando a fase do acolhimento, direcionando as pessoas para um local melhor. A segunda etapa é a capacitação, fazendo com que os trabalhadores resgatados sejam incluídos socialmente com cursos profissionalizantes e de português. O terceiro passo é o trabalho de regularização das pessoas no país, já que em muitos casos eles estão em situação irregular.

O secretário Fernando José da Costa afirmou que há três tipos principais de tráfico: drogas, armas e pessoas, sendo o terceiro muito nefasto, já que se aproveita da vulnerabilidade das pessoas. Segundo o secretário, esses trabalhadores são tão simples e vulneráveis que as pessoas que atuam nele não se acham vítimas de crime e se enganam achando que é uma oportunidade de melhora de vida.

Os suspeitos serão presos e responderão pelos crimes de organização criminosa, condição análoga de escravidão e tráfico de pessoas. A polícia acredita que a dupla é a ponta de uma organização que atua em outros países, aliciando pessoas que aceitam trabalhar com mão de obra barata.

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