São Paulo Polícia mira empresários suspeitos de executar líderes do PCC

Polícia mira empresários suspeitos de executar líderes do PCC

Equipes cumprem cinco mandados de busca e apreensão e outros quatro de prisão contra empresários envolvidos em execuções

  • São Paulo | Edilson Muniz, da Agência Record

Polícia busca suspeitos de envolvimento na morte de Anselmo Fausta

Polícia busca suspeitos de envolvimento na morte de Anselmo Fausta

Reprodução/Record TV

A Polícia Civil realizou, na manhã desta segunda-feira (14), uma operação para cumprir mandados contra suspeitos de envolvimento na morte de Anselmo Fausta, conhecido como Cara Preta, e Antonio Corona Neto, vulgo Puro Sangue, supostos integrantes da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

A informação foi confirmada pelo delegado Fábio Baena Martin, da 3ª Delegacia de Polícia de Repressão a Homicídios Múltiplos do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), que está investigando o caso.

De acordo com o delegado, nesta manhã foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e outros quatro de prisão contra quatro empresários que teriam envolvimento na morte de um dos líderes da facção.

Um dos pontos alvos é a mansão do empresário e investidor em criptomoedas Pablo Henrique Borges, na avenida Adalberto Penteado, região nobre do Morumbi, zona sul de São Paulo. Ele já havia sido preso em 2018 por desviar mais de R$ 400 milhões em golpes bancários.

Além de Borges, os outros três alvos também são empresários de três ramos diferentes, um do ramo de futebol, um dono de uma hamburgueria e um investidor do mercado financeiro.

Nos mandados cumpridos, os quatro alvos não foram localizados. Com isso, a partir deste momento eles passam a ser considerados foragidos. O caso segue sendo investigado pela delegacia.

Na terça-feira (8), o DHPP prendeu um dos suspeitos de autoria do duplo homicídio que vitimou dois homens, de 33 e 38 anos, em dezembro do ano passado, no Tatuapé, na zona leste de São Paulo. Também foram apreendidos documentos, telefones e computadores que serão analisados para esclarecer os fatos.

Na ocasião do crime, as vítimas foram encontradas baleadas em um carro acidentado. Nove celulares que estavam com elas foram apreendidos.

Foram solicitados exames periciais, e a ocorrência passou a ser investigada pela 3ª Delegacia de Polícia de Repressão a Homicídios Múltiplos, que após minucioso trabalho de inteligência em campo conseguiu mandados de busca e apreensão e de prisão na Justiça.

As ordens judiciais foram cumpridas hoje e resultaram na detenção de um dos possíveis autores do crime. Além disso foram apreendidos documentos, telefones e computadores, que serão analisados e vão contribuir com o prosseguimento das investigações e, consequentemente, o esclarecimento dos fatos.

"A pessoa presa hoje está na qualidade de investigada por participação no duplo homicídio. O direcionamento das apurações nos leva ao caminho de que a motivação do crime tenha sido investimento de valores em pessoas jurídicas, os quais ultrapassam R$ 500 milhões e estão espalhados em criptomoedas, lojas, veículos, imóveis e construtoras", explicou o delegado Fábio Baena Martin.

De acordo com Martin, o material apreendido durante a operação de hoje ajudará a descobrir os valores, provenientes do tráfico de drogas, que as duas vítimas injetavam em algumas pessoas jurídicas.

Execução

Na segunda-feira (27/12), em São Paulo, Anselmo Fausta, considerado o principal chefe da facção PCC fora dos presídios, foi morto. Ele estava dentro de um carro parado diante de um semáforo na zona leste de São Paulo quando foi alvejado por criminosos que estavam em um veículo que estacionara ao lado. Na ação, também morreu Antonio Corona Neto, que dirigia o carro que levava Anselmo Fausta.

A emboscada foi registrada por câmeras de segurança da região, que mostraram que o veículo do chefe do PCC já vinha sendo seguido antes de parar na praça Vinte de Janeiro, no Tatuapé. Os assassinos dispararam ao menos oito vezes. Na sequência, o veículo com os dois baleados se movimentou sem controle até atingir o portão de um prédio.

De acordo com a polícia, Anselmo foi assassinado por causa de uma disputa de poder e dinheiro dentro da própria facção. Criminosos estavam incomodados com a ascensão dele ao comando do tráfico internacional de drogas.

Ele também era investigado pelo roubo de 720 quilos de ouro no aeroporto de Guarulhos, em 2019. A vítima teria financiado o assalto da carga, avaliada em R$ 110 milhões. Apesar de comandar um império no mundo do crime, ele mantinha uma vida discreta. Só andava em carros populares, para não chamar a atenção da polícia e de desafetos.

A investigação quer identificar o ponto inicial da perseguição através das câmeras de segurança do bairro. O caso foi registrado no 30° DP (Tatuapé).

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