São Paulo Política para refugiados em SP é exemplo para o mundo, diz ONU

Política para refugiados em SP é exemplo para o mundo, diz ONU

Alto-comissário das Nações Unidas visitou o Crai, no centro da capital paulista, e elogiou o atendimento e apoio ao imigrante

  • São Paulo | Laura Lourenço, da Agência Record

Visita aconteceu no Crai Oriana Jara, no centro da cidade de São Paulo

Visita aconteceu no Crai Oriana Jara, no centro da cidade de São Paulo

Google Street View - 08.11.2021

"A política local para refugiados praticada na cidade de São Paulo é inédita no mundo e deveria ser adotada por todos os países", disse o alto comissário assistente da Acnur (Operações da Organização das Nações Unidas para os Refugiados), Raouf Mazou, após visitar o Crai (Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes), localizado na região central da cidade.

Para o prefeito Ricardo Nunes, que também participou da visita, o trabalho da prefeitura junto ao migrante que chega à capital não se resume à documentação. "Temos orgulho do que é feito nos Crais. Os mais de 500 atendimentos por mês mostram o total acolhimento aos refugiados e àqueles que chegam a São Paulo para uma nova vida", explicou Nunes. 

De acordo com a secretária municipal de direitos humanos e cidadania, Claudia Carletto, há um plano municipal com 80 ações para serem cumpridas até 2024 e, até o momento, já foram realizados mais de 20 mil atendimentos no Crai, "toda oferta de serviço público aos refugiados é amigável ao imigrante que aqui chega", menciona.

Cláudia também destacou o selo municipal de direitos humanos e diversidade. "Além do conselho municipal que acolhe essas pessoas e funciona com a participação direta dos imigrantes, temos o selo que reconhece e premia aqueles que tenham experiência de receber a diversidade dentro de suas cooperações. Neste ano, foram premiadas 141 iniciativas de entidades do terceiro setor e órgãos públicos e privados", completou.

Já o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Carlos Bezerra, deu ênfase àa concretização de São Paulo como uma cidade de braços abertos a todos. "A capital acolhe sem distinção e preconceitos. Fomos os primeiros a receber os venezuelanos que chegaram para reiniciar sua vida. São Paulo oferece uma completa integração daqueles que aqui chegam com direito à saude, educação e emprego digno. Imigração não é caso de polícia. É questão de direitos humanos e de vida', disse Bezerra.

Visita

A cidade de São Paulo é reconhecida internacionalmente como cidade global líder na gestão das migrações pelos indicadores de governança migratória propostos pela OIM (Organização Internacional para as Migrações). Por esse motivo, uma comitiva com membros do alto-comissariado das Nações Unidas para os refugiados, a Acnur, esteve em visita ao Crai Oriana Jara, no centro. O Crai, é um equipamento de apoio especializado e multilíngue para imigrantes, localizado na rua Major Diogo, 834, na Bela Vista. 

A visita teve a apresentação do Crai Móvel, equipamento itinerante que leva os serviços à população em eventos e ações específicas no território, e ainda passa pelas áreas de recepção e acolhimento inicial, atendimento social, jurídico e psicológico, e pelos setores de articulação institucional, de educação e formação. 

Crai

Inaugurado em 2014, o Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes surgiu da parceria  entre a Prefeitura de São Paulo, o Ministério da Justiça e o Sefras (Serviço Franciscano de Solidariedade). O local presta atendimento especializado a imigrantes em sete idiomas: português, inglês, francês, espanhol, lingala, creole haitiano e árabe, com foco em orientações sobre regularização migratória e acesso a direitos sociais, orientação jurídica e do serviço social, bem como encaminhamento de denúncias de violações de direitos humanos.

O serviço foi mantido durante todo o período de pandemia, com atendimento agendado e orientação, além de ações de entrega de cestas básicas e kits de higiene por meio do programa Cidade Solidária.

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