São Paulo Por desgaste político, Alckmin troca o comando de fundação responsável por infraestrutura educacional

Por desgaste político, Alckmin troca o comando de fundação responsável por infraestrutura educacional

Presidente da FDE, responsável por licitações da Secretaria de Estado Educação, será exonerado em meio a investigações; ex-ministro de FHC assume o cargo

Por desgaste político, Alckmin troca o comando de fundação responsável por infraestrutura educacional

Geraldo Alckmin deve confirmar o nome de Barjas Negri para a presidência da FDE em São Paulo

Geraldo Alckmin deve confirmar o nome de Barjas Negri para a presidência da FDE em São Paulo

Marcelo Camargo/ABr

Barjas Negri (PSDB), ex-ministro da Saúde do governo FHC e ex-prefeito de Piracicaba (SP), deve assumir, na próxima semana, a presidência da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), ligada à Secretaria de Educação de São Paulo e envolvida, nos últimos meses, em escândalos de corrupção investigados pelo Ministério Público estadual.

Negri entra no lugar de José Bernardo Ortiz, afastado do cargo desde outubro por decisão judicial. A exoneração de Bernardo deve ser publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira (1º), quando o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), deve confirmar o nome de Barjas para o cargo.

Ortiz foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou até a conclusão deste texto. Ele é réu em uma ação do MP que o acusa de cobrar propinas de empresas em troca de favorecimento de licitações para a compra de mochilas destinados a alunos da rede pública estadual de ensino.

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Segundo o processo, Ortiz teria cobrado comissões de até 5% do valor dos contratos, dinheiro que teria sido destinado à campanha, vitoriosa, de seu filho Bernardo Ortiz Júnior (PSDB) à prefeitura de Taubaté. Os bens de ambos estão bloqueados na Justiça, desde outubro, por decisão do Tribunal de Justiça, que também afastou o presidente da FDE. A defesa de Ortiz alega inocência e recorreu da decisão. O processo aguarda julgamento em segunda instância.

Nome dado como certo para o cargo por pessoas ligadas ao Palácio dos Bandeirantes, Barjas Negri não foi encontrado para comentar a sua provável ida para a FDE, que administrou em 2012 um orçamento de quase R$ 95 milhões. Sua assessoria afirmou não ter sido informada sobre a eventual nomeação.

Negri é considerado um dos tucanos mais próximos ao ex-governador José Serra, que luta por espaço no PSDB após ter sido derrotado por Fernando Haddad (PT) na disputa pela prefeitura de São Paulo no ano passado. Em abril de 2002, Negri assumiu o ministério da Saúde do Governo FHC no lugar de Serra, que se candidatava à presidência. Sua gestão à frente do ministério ficou marcada pelo escândalo dos Sanguessugas, descoberto apenas em 2006.

O esquema de corrupção desviava verba do governo federal destinada à compra de ambulâncias para os municípios. O caso foi investigado por uma CPI no Congresso, na qual Negri depôs e negou qualquer envolvimento com o caso. Ele não foi indiciado. O novo presidente da FDE ainda foi presidente da CDHU no primeiro governo de Geraldo Alckmin.