Por que SP não consegue se prevenir dos desastres das chuvas de verão?
A maior cidade da América Latina é mais uma vez refém das previsíveis chuvas do início do ano. Se sabemos, porque não nos prepararmos?
São Paulo|Celso Fonseca, do R7

O cidadão da Grande São Paulo, maior conglomerado urbano da América do Sul, vive anualmente um filme de terror repetitivo, cujo ingresso é sempre caríssimo para se assistir sempre ao mesmo enredo de destruição, prejuízo e escuridão. O filme pode se chamar Chuvas de Verão, a Vingança.
Todos os anos sabemos que, nos meses de janeiro e fevereiro, as águas são caudalosas, os ventos são fortes e, nem assim, até hoje, nenhum, exatamente nenhum prefeito, pelo menos, tentou se prevenir do desastre mais certo e prevísivel, ainda que se tenham construídos alguns insuficientes piscinões em gestões passadas.
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As correntezas arrastam cidadãos de bem, os alagamentos levam o pouco que muita gente tem, os ventos derrubam árvores e mais árvores sobre os nossos carros e o que a prefeitura faz: anuncia solene um gabinete de crise, da crise anunciada, cantada como certa.
Como uma marca da maldade, os gestores da cidade preferem esperar, de braços cruzados, o terror que estar por vir. Haveria um certo prazer oculto em ver a cidade pisoteada pelo Godzilla das águas sem que nada fosse feito. Não é possível fazer um monitoramento das árvores em risco de cair, uma limpeza dos bueiros, e uma manutenção dos semáforos que sempre param de funcionar. E a Enel, empresa de distribuição de energia, sabendo que fatalmente milhares de paulistanos vão mergulhar na escuridão, arcando com prejuízo de geladeiras que não funcionam e de elevadores que param de repente.
Até quando nossos gestores vão saborear essa mórbida encenação de perdas, sofrimento e abandono. Um filme triste que somos obrigados a assistir todos os anos, enquanto chegam ligeiros nossos carnês do IPTU sempre majorados.













