Prefeitura quer que MP e polícias Civil e Federal investiguem paralisação de ônibus em São Paulo
Empresas e sindicato podem ser responsabilizados pelo protesto que afetou 230 mil usuários
São Paulo|Fernando Mellis, do R7

O secretário municipal de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, pediu ao Ministério Público a abertura de um inquérito para apurar de quem é a responsabilidade pela paralisação de motoristas de ônibus que acontece nesta terça-feira (20) e quarta-feira (21) na capital. Segundo ele, cerca de 230 mil pessoas foram afetadas.
— Tem vários episódios, desde a pessoa que tira a chave do ônibus e joga a chave fora, até pessoas que furam pneus. Tudo isso nós estamos levantando. O promotor [Saad Mazloun] disse que possivelmente vai instaurar inquérito civil sobre isso que está acontecendo.
Tatto afirmou ainda que estuda acionar as polícias Civil e Federal para que os responsáveis também respondam do ponto vista penal pelos episódios que aconteceram hoje. Até mesmo as empresas devem ser investigadas para que se saiba se tiveram algum tipo de responsabilidade. A possibilidade de que sejam aplicadas multas não está descartada.
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As regiões mais atingidas foram as zonas oeste e norte, mas o reflexo no trânsito acabou sendo sentido por toda a cidade, que bateu recorde de lentidão. Dezesseis terminais de ônibus foram fechados, além do Expresso Tiradentes. Para o prefeito Fernando Haddad, a ação foi “inadmissível”.
— Um grupo de pessoas, cuja insatisfação não se conhece propriamente a causa, agiu de maneira completamente inapropriada e inadmissível na cidade de São Paulo, paralisando ônibus, determinando que os passageiros descessem dos ônibus e constrangendo ou substituindo motoristas para obstruir o trânsito em toda a cidade e nos terminais.
Sindicato
O secretário também considerou a hipótese de que o sindicato esteja envolvido nas ações desta quinta-feira. A paralisação ocorre um dia depois de motoristas, cobradores e empresas de transporte da capital paulista aceitarem o reajuste de salário e colocarem fim à possibilidade de greve da categoria.
— Estamos verificando, do ponto de vista jurídico, se tem envolvimento de parte do sindicato. E tudo indica que tem. Há um problema de divergência política dentro do sindicato que extrapolou as funções do próprio sindicato.
Segundo o diretor executivo do Sindmotoristas, Francisco Xavier, o "Chiquinho", a paralisação foi provocada por um grupo que discorda da atual gestão da entidade. Na assembleia de ontem, todos concordaram com a negociação.













