São Paulo Procurador-geral processa colega do MP por criticar atitude machista

Procurador-geral processa colega do MP por criticar atitude machista

Procuradora classificou atitude de Mario Sarrubbo em reunião do MP-SP como 'manterrupting'; ele diz que fala foi respeitosa

  • São Paulo | Márcio Neves, da Record TV

Procuradora divulgou mensagens criticando atitude do Procurador-Geral de Justiça

Procuradora divulgou mensagens criticando atitude do Procurador-Geral de Justiça

Reprodução

A procuradora Maria da Glória Villaça Borin Gavião de Almeida criticou em um grupo de aplicativo de mensagens, o procurador-geral de Justiça de SP, Mario Luiz Sarrubo, de ter tratado de forma machista a procuradora Juang Yuh Yu, em uma reunião do Conselho do Ministério Público.  A atitude de Sarrubo foi associada com a prática do “manterrupting”, que é quando um homem interrompe a fala de uma mulher para que sua opinião não prevaleça.

“O Procurador-Geral de Justiça externou comportamento desrespeitoso às mulheres que integram o mesmo colegiado que ele. Ao ser contrariado por uma Procuradora de Justiça, reagiu aos berros, na tentativa de desconstituir sua fala. Em nítida atitude que escancara o retrato de uma sórdida sociedade machista”, dizia parte da mensagem enviada pela procuradora Maria da Glória.

Após as críticas, Sarrubo registrou uma queixa-crime contra a colega procuradora, acusando-a de injúria e difamação e exigindo sua retratação sobre o teor da publicação.

“Fiz uma crítica a uma pessoa pública”, disse a procuradora Maria da Glória sobre a publicação feita no aplicativo de mensagens.

“É uma atitude desproporcional”, afirmou ela criticando a decisão de Sarrubo de processá-la.

Procuramos a procuradora Juang Yuh Yu, a quem foram dirigidas as palavras de Mário Sarrubo na reunião que motivou as críticas publicadas por sua colega Maria da Glória, e que preferiu não se posicionar considerando que prefere não comentar “assuntos internos da Instituição”.

Na ação contra a procuradora Maria da Glória, o procurador-geral alega que não houve nenhuma prática machista, mas sim uma “enfática, porém respeitosa contraposição” ao voto da dra. Juang na reunião.

Ele afirma ainda na ação que “debates e divergências de posições não apenas são comuns, mas são de todo recomendáveis em deliberações de órgãos colegiados. Afinal, o propósito da composição plural de sujeitos de um órgão é justamente abarcar diferentes opiniões acerca de determinado assunto e a fim de se alcançar um melhor acordo.”

A Procuradora Maria da Glória, por sua vez, em manifestação no processo, afirma que se vê na filmagem da reunião que o tratamento dado pelo Procurador Geral à Procuradora Juang foi diverso do dispensado aos demais Procuradores do sexo masculino.

Procuramos o procurador-geral Mário Sarrubo, que por meio de seu advogado, Eduardo Reale Ferrari, afirmou por meio de nota (íntegra abaixo) que, “as ofensas feitas pela Dra. Maria da Glória em grupos de WhatsApp de membros do Ministério Público – infelizmente - extrapolaram os limites do debate democrático e atingiram a dignidade, o decoro, bem como a respeitabilidade da pessoa do Procurador Geral de Justiça”, e que para isto “medidas jurídico-criminais foram tomadas e serão avaliadas pelas autoridades judiciárias competentes”.

Leia a íntegra da nota:

“Informamos que a queixa-crime interposta foi motivada por ofensas de cunho pessoal realizadas pela Dra. Maria da Glória ao Procurador Geral de Justiça.

Ou seja, as ofensas feitas pela Dra. Maria da Glória em grupos de WhatsApp de membros do Ministério Público – infelizmente - extrapolaram os limites do debate democrático e atingiram a dignidade, o decoro, bem como a respeitabilidade da pessoa do Procurador Geral de Justiça.

Em razão das ofensas de cunho pessoal, medidas jurídico-criminais foram tomadas e serão avaliadas pelas autoridades judiciárias competentes.

Cordialmente,
Eduardo Reale”

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