Quatro anos após ataque com lâmpada na avenida Paulista, grupo faz protesto

Em 2010, dois jovens homossexuais foram agredidos por adolescentes no mesmo local

Quatro anos após ataque com lâmpada na avenida Paulista, grupo faz protesto

Manifestantes se concentraram na calçada da avenida Paulista

Manifestantes se concentraram na calçada da avenida Paulista

J. Duran Machfee/Estadão Conteúdo

Dezenas de pessoas se reuniram na tarde deste domingo (16) na avenida Paulista, entre a avenida Brigadeiro Luís Antônio e a alameda Joaquim Eugênio de Lima, para um ato que marca os quatro anos de um ataque homofóbico a dois jovens. O protesto foi intitulado de “A revolta da lâmpada”, em referência ao objeto usado como arma pelos agressores.

Na descrição do evento, no Facebook, os organizadores afirmam que “a lâmpada fluorescente virou um símbolo da opressão não só aos LGBTs, mas a todos os corpos percebidos como inadequados pelo modelo hegemônico”.

Alguns participantes levaram boias de espuma, representando lâmpadas fluorescentes. Outros carregavam faixas e cartazes contra o preconceito aos homossexuais. Segundo a Polícia Militar, o ato se concentrou na calçada. O local é o mesmo onde o ataque aconteceu.

O caso

Cinco jovens de classe média - um de 19 anos, um de 17 e três de 16 - foram detidos no dia 14 de novembro de 2010 na avenida Paulista, sob acusação de terem agredido três pessoas com socos, chutes e golpes com lâmpadas fluorescentes.

Na delegacia, foram identificados por outro rapaz, que contou ter sido agredido e assaltado pelo grupo. Duas vítimas disseram à polícia que teriam sido confundidos com homossexuais, e isso teria motivado a agressão.

Segundo depoimento à polícia, os amigos, de 19 e 20 anos, estavam em um ponto de táxi na altura do número 453 da Paulista, por volta das 6h30, quando o grupo atravessou a rua e avançou em direção a eles. O jovem de 20 anos disse ter levado um soco no rosto e chutes e, mesmo "desequilibrado", conseguiu fugir para a entrada da Estação Brigadeiro do Metrô. Chegou a ser perseguido por dois rapazes, que desistiram ao ver o movimento de pessoas no local. A outra vítima apanhou com mais violência e ficou desacordada na calçada.

Poucos metros à frente, a Polícia Militar, que foi chamada para atender a ocorrência, encontrou um terceiro rapaz de 23 anos - que também levou socos, pontapés e foi golpeado com lâmpadas fluorescentes.