São Paulo deve ganhar centro de acolhida para LGBT expulso da família
Jovem viu a demanda ao oferecer sofá em casa e agora tenta vaquinha para ampliar o projeto
São Paulo|Caroline Apple, do R7

O preconceito contra a população LGBT vem tirando milhares de pessoas do convívio familiar. Ao saber que um filho é gay, muitos pais simplesmente o expulsam de casa como punição por assumir sua orientação sexual. O resultado disso é a superexposição à violência, a trilha para a prostituição, o abandono e um ser humano à deriva.
O jornalista Igor Giusti, de 27 anos, se sensibilizou com a problemática e decidiu emprestar um sofá em seu apartamento para acolher gays nessa situação. Porém, um sofá não era o suficiente para atender a demanda, que chegou a 35 pedidos oficiais de abrigo. Foi então que surgiu a ideia do Casa 1, um abrigo para acolher a população LGBT que foi renegada pela família. Para realizar o projeto, Giusti abriu uma "vaquinha" virtual para arrecadar o dinheiro para alugar um espaço na região central de SP.
— Eu sempre acreditei que existem vários tipos de militâncias e uma delas é o que eu posso fazer individualmente para ajudar o movimento e quem precisa. Uma época coloquei meu sofá cama no Airbnb [plataforma de aluguel de casas e quartos] e recebi um monte de gente bacana e percebi que rolava bem, mesmo o lugar sendo pequeno. A partir daí fiz uma postagem no Facebook abrindo o espaço para quem precisasse só que a demanda foi gigantesca, então comecei a matutar como ampliar o projeto.
Para tirar a ideia do papel, Giusti precisa de R$ 83.952, referentes ao aluguel de um ano do espaço, IPTU e gastos burocráticos. Já o mobiliário, mão de obra e outras questões serão feitas por meio de parcerias e doações. Até o momento, a campanha arrecadou R$ 4.210.
— A grande questão era como viabilizar isso. Estudando percebemos que o financiamento seria uma boa opção. Primeiro pela relativa rapidez em relação a tentar editais públicos ou até estruturar o projeto como uma ONG. A ideia é não ter uma estrutura como os centros governamentais e que as pessoas realmente morem no espaço. A nossa rede de voluntários tem crescido bastante e vamos trabalhar conforme às demandas de cada um dos moradores.
Quem quiser doar basta entrar no site e em troca pode receber recompensas, que vão de citações do nome no centro de acolhimento até cursos, como o promovido por Giusti, de produção de conteúdo digital. Há também palestras e workshops. A meta é levantar a grana até o dia 30 de novembro.












