São Paulo São Paulo é vista como desigual e violenta por moradores, diz estudo

São Paulo é vista como desigual e violenta por moradores, diz estudo

Pesquisa da Rede Nossa SP e do Ibope Inteligência, divulgada nesta 5ª feira (17), revela ainda aumento do desejo pela criação de renda básica na cidade

Pesquisa expõe visão do paulistano de viver em cidade injusta e violenta

Pesquisa expõe visão do paulistano de viver em cidade injusta e violenta

Folhapress/Folhapress

A cidade de São Paulo é vista por 46% dos moradores como desigual e por 42% como violenta, de acordo com a pesquisa "A Cidade que Queremos", da Rede Nossa São Paulo SP e do Ibope Inteligência, divulgada nesta quinta-feira (17).

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As percepções superam a sensação de morar uma metrópole diversa e em constante mudança (29%) ou que oferece oportunidades para todos (24%). Outra parcela da população vê São Paulo como uma cidade discriminatória (23%), insensível às pessoas e que privilegia os negócios (21%).

Os conceitos de cidade inovadora (19%) e que seja um exemplo para o Brasil (12%) também estiveram em baixa na percepção dos moradores da capital paulista. Outros 2% não elegeram qualquer desses adjetivos como a principal face de São Paulo, enquanto 1% não soube ou não respondeu aos questionamentos.

Divulgação/Rede Nossa SP

A impressão de habitar uma cidade desigual foi mais notada na região central de São Paulo (53%). Os moradores da zona leste enfatizaram a violência (45%) como aspecto mais marcante da capital. Já uma parcela dos moradores da zona oeste acredita que vive em uma metrópole diversa e que está sempre em transformação (36%).

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A coordenadora da Rede Nossa SP, Carolina Guimarães, lamenta que o crescimento da desigualdade social e a violência sejam percebidos como as principais características da cidade pelo olhar da população. A especialista espera que a conclusão do estudo sirva de base para novas políticas públicas e debates entre o governo municipal e o setor privado.

"Chama a atenção que as pessoas reconhecem como a cidade é mal distribuída e como, infelizmente, tem muitos postos de trabalho e habitação boas no centro da cidade, porém, nas periferias, há muitas faltas. O tema [de concentração de oportunidades no centro] tem de ser resolvido para um futuro mais sustentável. Temos que repensar nosso planejamento urbano, as nossas funções e responsabilidades nesse território urbano", frisa Carolina Guimarães. 

Urbanização e industrialização desiguais

O doutor em sociologia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e professor da Universidade Mackenzie Rogério Baptistini também considera legítima a impressão dos paulistanos sobre a metrópole. "É tão verdadeira quanto a percepção de que cidade oferece oportunidades para todos e está em constante mudança", pondera.

Rogério Baptistini explica que a realidade atual é resultante da industrialização e da urbanização de São Paulo. "Um processo de rápido e desigual, que criou uma metrópole marcada por contrastes, síntese do melhor e do pior do país. Não por outro motivo, ainda hoje a expressão criadana década de 1980 pelo economista Edmar Barcha parece tão atual: somos uma Belíndia. Algo como uma Bélgica cercada por uma enorme Índia de pobreza e desamparo", avalia.

O professor Rogério Baptistini entende que um processo como esse — de industrialização e urbanização — deixa marcas na alma da cidade. E, tragicamente, produz divisões (simbólicas e reais), além de ressentimentos, que precisam ser enfrentados no plano político e cultural.

"São Paulo e Brasil têm enfrentado dificuldades para integrar as gentes em torno de um projeto de destino comum. Os contrastes entre a vida dos vários segmentos sociais, os números da pobreza, a situação carcerária, o problema habitacional, denunciam o desafio que está posto. A violência acusada pelos pesquisados é um detalhe a mais desse caldo", complementa.

Renda básica

O levantamento também detectou um aumento do número de paulistanos favoráveis à geração de renda básica para toda a população da cidade (77%). Na pesquisa realizada em 2018, o mesmo item tinha 55% do apoio dos entrevistados.

Outros 15% são contrários a um projeto que possibilite uma quantia que garanta necessidades básicas para todos os paulistanos — há dois anos, eram 30%. Além deles, 8% não souberam ou não responderam à pergunta. Em 2018, os indecisos somavam 15%.

Metodologia

A "Cidade que Vivemos" reuniu opiniões coletadas em 800 entrevistas com moradores da cidade de São Paulo (região urbana) de 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 21 de setembro deste ano, a partir de abordagens presenciais e online. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados totais.

O levantamento abrangeu cidadãos de diferentes classes sociais. religiões, faixas etárias e níveis de escolaridade. Também houve diversificação entre sexo, raça e etnia.

Divulgação/Rede Nossa SP

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