São Paulo pode ter trem que ligue cidades do interior com velocidade de 160 km até 2016
Obras devem começar em 2014 e serem concluídas em 3 anos. Malha ferroviária pode ter 430 km
São Paulo|Do R7

Enquanto o projeto de construção do Trem de Alta Velocidade (TAV), conhecido como trem-bala, ainda está em discussão no âmbito do governo federal, outro projeto sobre trilhos, de iniciativa do setor privado, em parceria com o governo do Estado de São Paulo, já está com o processo licitatório definido para o mês de outubro. Denominado Trem Intercidades, o projeto consiste em uma malha ferroviária de 430 quilômetros — com aproveitamento da faixa de domínio da CPTM —, e velocidade média de 120 quilômetros por hora, podendo chegar a 160 quilômetros por hora.
As obras estão previstas para serem iniciadas no ano que vem e o prazo estimado de conclusão é de três anos, segundo o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. O Trem Intercidades vai interligar, inicialmente, dois principais eixos do Estado. O primeiro ligará a capital a Campinas, Americana, Jundiaí, Santo André, São Bernardo, São Caetano e Santos e o outro ligará São Paulo a Sorocaba, São Roque, São José dos Campos, Taubaté e Pindamonhangaba.
A estação na capital deverá servir de ligação com o trem bala do governo federal e com o Metrô paulistano. O projeto foi idealizado pelo BTG Pactual e pela Estação da Luz Participações (EDLP). O montante a ser investido é de R$ 18 bilhões, no esquema de Parceria Público Privada (PPPs), sendo que cerca de R$ 4 bilhões do governo do Estado.
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Segundo Afif, que também preside o Conselho Gestor de PPPs estadual, o governo do Estado espera fechar a concorrência pública ainda este ano.
— A expectativa é fechar a concorrência pública em outubro, para começarmos as obras no ano que vem.
Ele ressaltou que os R$ 4 bilhões provenientes dos cofres do governo paulista "já estão previstos no Orçamento". E que este projeto "é a menina dos olhos do momento".
O controlador e presidente da Estação da Luz Participações, Guilherme Quintella, afirmou que o objetivo é entregar os estudos técnicos do projeto até o mês de julho.
"Estamos trabalhando com uma grande equipe para isso", contou o empresário, afirmando estar 'animado' com este projeto.
'Provocação'
O vice-governador afirmou que a realização do Trem Intercidades só está sendo possível por conta do que classifica de 'provocação' da iniciativa privada.
— O BTG Pactual e a Estação da Luz Participações apresentaram a Manifestação de Interesse Privado (MIP) para o projeto e agora estamos colocando em prática.
Sem citar nomes, disse que já há empresas interessadas no projeto.
— São Paulo tem experiência de 20 anos de concessões, está à frente. E é no Estado que se concentra 70% do poder de decisão dos investimentos do País.
Segundo Afif, a ideia é voltar a estimular o transporte de passageiros sobre trilhos e criar uma alternativa para concorrer com os automóveis, que estão superlotando as rodovias estaduais.
— É uma região (as cidades interligadas pelo projeto) muito importante, onde está 25% do PIB do País.
O vice-governador afirmou ainda que a estimativa é que as tarifas cheguem a, no máximo, R$ 15 por trecho.
— Muito vantajoso se considerarmos a questão do custo do pedágio, gasolina, etc.
Afif destacou também que o Trem Intercidades não compete com o Trem de Alta Velocidade do governo federal, até porque os dois projetos devem se interligar:
— O TAV concorre com o avião, que é um meio para distâncias maiores.
Quintella também reforça a tese, afirmando que o projeto foi concebido com o objetivo de se associar ao TAV.
—A ideia é agregar e gerar valor para os dois lados.
A decisão da escolha da estação central em São Paulo, que integrará TAV, o Intercidades e o Metrô (futura linha 6), é uma das mais aguardadas para o projeto. Empresários consultados pela reportagem afirmam que quanto melhor a conectividade dos sistemas, mas atrativo ele será.
Os locais mais cotados para receber essa estação central são a Estação da Luz (junto com o complexo Julio Prestes); a Água Branca e a região do Campo de Marte, que precisaria de uma extensão do Metrô no local. A definição passa também pelo crivo da Prefeitura de São Paulo, que precisa acordar a questão dos terrenos a serem cedidos com os governos estadual e federal.















